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29/10/2010

Professores indígenas participam de curso de atualização

Cerca de 110 professores indígenas das etnias Guarani, Kaingang e Xetá participam do 1º Curso de atualização de conhecimentos de Educação Física e Língua Indígenas, em Curitiba, que se encerra nesta sexta-feira (29). O evento é promovido pela Secretaria de Estado da Educação (SEED), por meio do Departamento da Diversidade (DEDI), e possibilita o contato com situações pedagógicas e interativas que contribuem para o ensino das disciplinas na educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. “O curso serve de complemento na formação dos professores, porque são discutidas teorias e práticas pedagógicas mais recentes e recomendadas para os estudantes indígenas”, define Cristina Cremoneze, coordenadora da Educação Escolar Indígena.
O curso de atualização é decorrência da legislação que determina a oferta das disciplinas nas comunidades indígenas. “Não existia a preocupação em oferecer a disciplina de Educação Física nas escolas indígenas. Hoje, ela é necessária”, diz Cristina. Sobre o ensino de línguas, ela explica que na Constituição consta o ensino obrigatório da língua portuguesa e da língua indígena durante os processos de aprendizagem. “Além disso, o registro escrito das línguas indígenas ainda é recente, porque elas têm uma tradição oral, e é preciso constantes discussões para este processo”, afirma.
Vanderson Lourenço não tinha o interesse pela língua Guarani até os 20 anos. Foi a vivência com o Magistério que modificou a sua visão de mundo. Ele é professor do Ensino Fundamental há cinco anos, na Escola Estadual Indígena Yvyporã, aldeia de Pinhalzinho, em Tomazina. Para ele, os cursos oferecem subsídios para manter a identidade cultural dos indígenas e proporcionam o acesso ao conhecimento científico. “Temos a oportunidade de recuperar conhecimentos existentes em outras aldeias, além de nos apropriar de conhecimentos não-indígenas que serão trabalhados nas escolas”.
Lourenço espera que os programas federais e estaduais de investimentos na educação escolar indígena tenham continuidade. “Nos últimos anos, houve um interesse maior por parte dos governos Federal e Estadual em promover meios para investir na educação escolar indígena”, diz.
Julio Cezar da Silva estuda há dois anos para ser professor das séries iniciais da terra indígena Xetá em São Jerônimo da Serra. “O curso de formação é importante porque precisamos saber como interagir com os alunos e também com os pais deles”. Ele disse ainda que a educação é um importante meio para manter e fortalecer as tradições culturais indígenas.
O cacique e professor Kaingang da Terra Indígena de Palmas, Juvenal Mendes, lembrou que os cursos servem para que sejam discutidos conteúdos pertinentes à produção de materiais didáticos específicos. “Há uma troca de experiências de realidades diferentes das aldeias entre os participantes e isto contribui para a elaboração de um material didático diferenciado”, afirma.
Esses professores, que atuam em 36 escolas situadas em terras indígenas, atendem cerca de três mil estudantes de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. São realizados pela SEED, em média, dois cursos de atualização por ano. Em eventos anteriores foram trabalhadas disciplinas de Matemática, História e Geografia. Os conteúdos de línguas indígenas sempre são desenvolvidos nestes cursos e os participantes repassam o que foi discutido a outros professores nas aldeias indígenas.
O investimento na formação deste professores indígenas é uma das ações das políticas públicas que caracterizam a gestão da SEED. “O atendimento às diversidades é um compromisso da Secretaria com estas populações historicamente invisibilizadas do sistema público de ensino, por entender que a educação é um direito de todos. Nesse evento, estamos discutindo também as Diretrizes Curriculares Estaduais da Educação Escolar Indígena, entendendo que esta deve ser uma política de Estado e não apenas de governo, contando com a efetiva participação dos professores e lideranças indígenas”, destacou Wagner Roberto do Amaral, chefe do DEDI.
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