Ensino

20/04/2017

Paraná aumenta o número de professores indígenas

Nos últimos sete anos as comunidades indígenas xokleng, guarani, xetá e kaingang, que vivem no Paraná, tiveram importantes avanços na área da educação que garantem a qualidade do ensino e reforçam a cultura e as histórias desses povos. Entre as principais ações está a ampliação do número de docentes indígenas na rede estadual de ensino.

Em 2011, havia 31 docentes indígenas na rede estadual. Hoje, são 257 profissionais que lecionam na educação infantil nas 38 escolas indígenas do Paraná, cerca de 5 mil alunos. “É uma conquista transformadora as escolas indígenas terem no seu quadro de professores profissionais da própria aldeia que dominam o idioma e conhecem a história da etnia”, afirmou a secretária estadual da Educação, professora Ana Seres.

Segundo ela, nos últimos anos o Estado ampliou significativamente o acesso e a qualidade de ensino para estudantes das comunidades indígenas paranaenses. “No Paraná, a educação é para todos, e feita com respeito à identidade cultural”, acrescentou.

Na Escola Estadual Indígena Emília Jerá Poty, localizada na aldeia Tupã Nhe’ e Kreta, em Morretes, no litoral do Estado, os 18 estudantes são alfabetizados em português, kaingang e guarani desde a educação infantil até o 6° ano. A partir do 6° ano é inserida também a disciplina de inglês na grade curricular.

Cinco dos nove professores da escola são indígenas e possuem licenciatura. “Eles possuem muitas dificuldades com o português. Quando precisam sair da aldeia para estudar eles ficam tímidos e não interagem porque têm medo e falar em português e errar. Mas na escola, com professores indígenas, eles interagem, erram e aprendem”, disse a professora de História, Fabieli Wolinger de Almeida Fernandes.

A cacique Andreia Fernandes destacou a importância do professor indígena no processo de aprendizado e na preservação da língua materna das etnias. “Ter professores indígenas facilita o processo de aprendizado porque nossos idiomas são diferentes do português. Além de ensinar nos idiomas das aldeias, o professor indígena sempre relaciona os conteúdos das disciplinas com a história e cultura dos nossos povos e essa metodologia contribui para a sobrevivência das nossas identidades”, disse Andreia.

O diretor da escola, Florêncio Rekayg Fernandes, que é mestre em Educação, lembrou que o principal diferencial das escolas indígenas é contar com professores da própria aldeia. “Esse é o nosso principal diferencial porque os estudantes saem preparados da escola para o mundo, pois aprendem desde cedo quatro idiomas”, disse.

OUTRAS CONQUISTAS – Além de cuidar do quadro de professores, o Governo do Paraná também trabalha para garantir aos estudantes escolas de qualidades e adequadas à necessidade e à cultura de cada etnia. Já foram entregues 13 novas unidades. Elas contam com material didático produzido pela Secretaria estadual da Educação nas línguas guarani, kaingang e português para ajudar na alfabetização dos alunos, reforçar o uso das línguas maternas e manter viva a cultura linguista dentro dessas comunidades.

A cultura alimentar também recebe atenção especial. As escolas indígenas recebem alimentos provenientes da agricultura familiar que permitem que as merendeiras, que são indígenas, acrescentem receitas próprias da etnia ao cardápio da merenda, o que torna a alimentação dos alunos mais próxima aos costumes das comunidades guarani, xetá e kaingang.

Em 2013, a Secretaria estadual da Educação também diplomou a primeira turma indígena de técnicos em Agropecuária. A oferta do curso, inédita no Sul do Brasil, possibilitou a formação técnica gratuita para 17 estudantes de 16 municípios de diferentes regiões. Esses profissionais atuam em suas comunidades.
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