Ensino

07/05/2018

Alunos desenvolvem próteses em impressora 3D para doação

Os estudantes do curso técnico em Informática do Colégio Estadual Cristóvão Colombo, do município de Jardim Alegre, no Vale do Ivaí, iniciaram em 2017 o projeto Mão Amiga Prótese em 3D para confeccionar e doar próteses para portadores da Síndrome de Brida Amniótica ou amputação, para crianças e adultos.

Nesse período já foram projetados, confeccionados e entregues duas próteses de membros superiores feitas em impressora 3D para moradores do Paraná e São Paulo. Outras duas estão em processo de desenvolvimento e serão enviadas para a cidade do Rio de Janeiro e uma ficará no próprio município. O projeto na escola é desenvolvido no laboratório de informática que conta com duas impressoras 3 D, uma entregue em março deste ano pelo Governo do Estado, e outra montada por voluntários com peças recicladas. Desde o início do ano, o Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Educação, já entregou kits tecnológicos para 22 escolas. A entrega dos equipamentos faz parte do projeto Conectados 2.0, desenvolvido pela Secretaria da Educação, para fortalecer o parque tecnológico das escolas paranaenses.

O projeto Mão Amiga Prótese em 3D é desenvolvido voluntariamente por 50 alunos, professores universitários, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, engenheiros elétricos e demais representantes da comunidade escolar. A iniciativa surgiu após um estudo feito no município pela escola para diagnosticar a demanda de próteses para membros amputados ou para Síndrome de Brida Amniótica. “Descobrirmos que 11 pessoas, só no nosso município, estavam na fila de espera aguardando para conseguir uma prótese”, disse a diretora Sara Jane Jean Domingo Al-Ghadban.

Os pedidos dos moradores da região que chegam à escola são cadastrados pelos estudantes que fazem a medição e elaboram o projeto para a confecção das próteses nas impressoras 3D da escola em parceria com a Associação Dar a Mão, de São João do Ivaí.

Os alunos desenham, imprimem e personalizam o protótipo conforme o pedido. A entrega das próteses também é feita pelos estudantes. Cada prótese custa em média R$ 200, que são custeados pela comunidade escolar. Após receber o equipamento o usuário e sua família recebem acompanhamento com fisioterapeuta e psicólogo.

A diretora Sara contou que ao projeto contribui também para divulgar o curso e motivar os estudantes. “Além de motivar os alunos, o projeto é importante porque trabalha com o social, desperta o interesse pela pesquisa e pelo voluntariado. Com isso, além de ajudar quem precisa, estamos formando técnicos com uma visão humanizada”, disse.

PARCERIA – Os pedidos de outras cidades e estados são encaminhados pela Associação que, além de cadastrar os atendimentos feitos pela escola, dá o suporte técnico com treinamentos aos alunos, recebe e distribui a próteses feitas pela escola para outras cidades do Paraná e de outros estados. A parceria é acompanhada por uma equipe de pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), em Curitiba.

A Associação Dar a Mão foi criada pela professora da rede estadual Geane Poteriko da Silva, mãe da Dara Poteriko, de 4 anos, que nasceu com Síndrome de Brida Amniótica e há um ano usa a prótese feita pela associação. “A prótese permite que ela faça todas as atividades que eram dificultadas pela falta da mão, mas a principal contribuição é que estimula o lado com a agenesia e também tem um impacto psicológico que aumenta a autoestima, já que as próteses temáticas”, contou Geane que é presidente da associação Dar a Mão.

RECONHECIMENTO – Em 2017, o projeto desenvolvido pela escola, junto com outras ações que envolveram a comunidade na administração escolar, rendeu à unidade de ensino o segundo lugar no Prêmio Gestão Paraná, da Secretaria da Educação, entre as 54 escolas estaduais administradas pelo Núcleo Regional de Educação de Ivaiporã.

O projeto foi apresentado na feira nacional de impressoras 3D Expo3DBR que aconteceu no dia 28 de abril na cidade de São Paulo. No evento serão feitas exposições de projetos sociais e inovações do mercado de impressoras 3D.
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