Ensino

12/04/2019

Metodologia diversificada motiva estudantes a permanecer na escola na RMC

Pesquisa de campo, produção científica, aulas práticas e atividades no turno complementar mudaram a perspectiva dos estudantes do Colégio Estadual Emília Buzato, em Campo Magro, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A metodologia com atividades diversificadas contribuiu para diminuir a evasão escolar, aumentar o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e ampliar o número de matrículas no Ensino Fundamental e Médio.

Nessa quinta-feira (11), aconteceu o lançamento de um livro, um documentário e de uma exposição fotográfica feitos pelos estudantes do Ensino Fundamental e Médio do colégio. Os trabalhos são resultado de um projeto desenvolvido pela escola com o objetivo de combater a evasão escolar.

O diretor do colégio, Célio Roberto Pereira de Oliveira, explicou que as atividades interativas e práticas aumentaram a autoestima dos estudantes e aproximaram a escola da comunidade. “Esse é o principal desafio da escola, proporcionar aos alunos uma nova visão de futuro por meio da educação porque, em muitos casos, eles param de estudar para buscar uma colocação no mercado de trabalho informal”, disse.

Para o diretor, o maior ganho do projeto é que, por meio das produções audiovisuais e demais atividades interativas, os alunos reconhecem seu próprio talento, sua capacidade de realizar e de concluir projetos. “Uma prova não alcança esse prestígio. Essas atividades fazem com que os alunos queiram permanecer na escola”, complementou.

COMO FUNCIONA - As atividades práticas são desenvolvidas de maneira interdisciplinar, ou seja, englobam conteúdos vistos em todas as disciplinas do currículo escolar. Nas aulas de História e Geografia, por exemplo, os alunos estudaram aspectos geográficos e o processo de construção do Paraná e do município e, em seguida, realizaram excursões de campo em municípios paranaenses e de Santa Catarina. A pesquisa resultou na exposição fotográfica “Por onde nós andamos”.

“Além da percepção geográfica, os alunos também tiveram a oportunidade de conversar com moradores, conhecer locais citados nos livros e entender o processo histórico do nosso estado”, explicou o diretor.

Já as aulas de gêneros literários e produção textual resultaram no documentário “Até quando?”, cujo roteiro foi escrito por mais de 50 alunos. O grupo também filou e editorou o filme, que documenta a percepção dos colegas sobre as diferentes formas de violência. A edição do curta foi feita no estúdio de gravação de áudio e vídeo do próprio colégio.

“Essa metodologia é maravilhosa porque podemos mostrar e descobrir também nossos talentos. Hoje não dá vontade de sair da escola, porque nos sentimos acolhidos aqui, como se estivéssemos em casa”, contou o estudante, Ryan Jobert dos Santos, de 17 anos, do 3° ano do Ensino Médio.

Outro produto desenvolvido pelos alunos a partir das aulas práticas foi o livro “Sementes do Amanhã no Emília”, composto por contos e crônicas escritos por 80 alunos e nove professores.

APRENDER A SER - “Tivemos a oportunidade de participar de projetos que nos aproximaram mais da escola e desenvolvemos outras atividades que antes não eram ofertadas. Isso desperta o envolvimento dos alunos com a escola e motiva a vestir a camisa do colégio”, revelou o estudante Tiago Machado da Silva, também de 17 anos do 3° ano do Ensino Médio.

De acordo com o diretor, foi graças a essa nova metodologia que o número de alunos por turmas no Ensino Fundamental e Médio nos períodos da manhã e noite aumentou e a evasão diminuiu. “Tínhamos casos de alunos que estavam desistindo, mas continuaram e hoje estão no ensino superior”, disse o diretor.

A metodologia é fundamentada nos quatro pilares da educação para o século XXI apresentado no relatório para a UNESCO, que tem como princípio aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser.

As ações também foram pensadas pela escola em conjunto com a Rede de Proteção da infância e adolescência, que envolve Unidades de Saúde, Ministério Público (MP), Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária (BPEC), assistência social e Conselho Tutelar, entre outros.

PARCERIAS - Além disso, a escola desenvolve outros projetos como palestras com profissionais de diversas áreas, com a comunidade e parcerias com universidades públicas e privadas.

O colégio também oferta uma série de atividades no turno complementar, quando os estudantes não estão em sala de aula. Os estudantes usam os espaços da escola em atividades de dança, teatro, aulas de Inglês, e jogos interativos e colaborativos.

MONITORAMENTO DE FALTAS - Com o objetivo de combater o abandono escolar, a Secretaria da Educação do Paraná está desenvolvendo um sistema de monitoramento da frequência dos estudantes. Essas ferramentas vão permitir o levantamento de dados sobre as faltas dos alunos, para que os gestores possam, junto com suas equipes pedagógicas, realizar ações para localizar esses estudantes e mobilizar a comunidade escolar para trazê-los de volta ao convívio escolar.

“O que irá garantir a permanência do estudante na escola será a qualidade do trabalho pedagógico realizado e o clima de acolhimento da escola”, explicou Jailson Neco, Chefe do Departamento de Programas para a Educação Básica da Secretaria da Educação.

“Os relatórios diários de frequência serão importantes para o diretor, uma vez que dispensando a escola da necessidade de gerar a informação, o gestor, juntamente de sua equipe, terá mais tempo para trabalhar naquilo que é mais importante para os alunos e que é a sua vocação: ensinar”, completou Dolores Follador, técnica da Célula de Acompanhamento da Frequência Escolar, da pasta.

As ferramentas criadas para a geração rápida desses dados são o aplicativo Registro de Classe on line, que permite ao professor realizar a chamada também no formato off-line pelo seu celular diariamente e alimentar o sistema Registro de Classe On-line, assim que acessar uma rede wifi. O Registro de Classe On-line é um software que permite ao professor registrar conteúdos, avaliações e frequência dos alunos, dispensando o Livro de Registro de Classe impresso. Por último, está em fase final de desenvolvimento um sistema que gera relatórios diários de frequência.

A Secretaria da Educação do Paraná também desenvolveu o Sistema Educacional da Rede de Proteção. Por meio desse sistema, são mobilizadas diversas instituições corresponsáveis pela proteção da criança e do adolescente que irão agir no combate ao abandono escolar, quando os motivos desse abandono fogem à responsabilidade do sistema educacional. A Rede de Proteção, que conta com diversos órgãos, é acionada após esgotados todos os esforços da escola e após constatadas cinco faltas consecutivas ou sete alternadas em 60 dias letivos.
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