Ensino

14/05/2019

Frutas e garrafas pet para ensinar a teoria na prática

O ensino teórico aliado às atividades práticas enriquece o currículo, facilita o processo de ensino e aprendizado e torna as aulas mais interativas. Trata-se da metodologia do ensino prático, que tem transformado as aulas nas escolas da rede estadual de ensino.

No Colégio Estadual do Campo de Rio da Prata, em Nova Laranjeiras (no Centro-Sul), por exemplo, os alunos do 7° ano do Ensino Fundamental participaram de uma aula prática de Ciências em que puderam observar o desenvolvimento das células procarióticas e eucarióticas e a diferença entre os organismos unicelular e pluricelular. A atividade prática é complemento da aula teórica realizada em sala pela professora Sandra Silva Baldisserra, com o objetivo de proporcionar aos alunos a oportunidade de conhecer e reconhecer as células.

“A aula prática facilita o aprendizado. Os alunos conseguem entender os conteúdos que trabalhamos em sala e que estão nos livros por meio da observação. Assim, a explicação do professor fica mais completa”, disse Sandra.

MÃO NA MASSA - Sandra utilizou frutas para simular as estruturas celulares de forma prática e lúdica. Ela utilizou frutas para representar as estruturas celulares e suas organelas, por exemplo: os lisossomos foram representados com uvas, o complexo golgiense com tangerina, a maçã representou o núcleo, a casca da maçã representou o material genético na célula procariótica, assim sucessivamente com as outras organelas celulares.

“Eu gostei muito. Achei mais proveitoso porque com as atividades práticas aprendemos melhor e com mais facilidade. A professora explicou a diferença entre células procarióticas e eucarióticas e a diferença entre as unicelulares e pluricelulares. Também explicou a diferença entre as células animais e vegetais”, contou Poliana Moreira Wrublak, 12 anos, do 7° ano. 

EXPERIÊNCIA PRÁTICA - “Não consigo ver o ensino teórico separado do ensino prático porque, se as duas metodologias não estiverem alinhadas, o ensino fica fragmentado. E é por meio da prática que eles terão um aprendizado significativo e prazeroso”, explicou a professora de Biologia Leide Aparecida Faria Garcia, do Colégio Estadual Tancredo Neves, em Imbaú (também nos Campos Gerais).

Pensando nisso, ela resolveu fazer uma aula diferente sobre carboidratos, conteúdo previsto na disciplina, com os alunos da 1° série do Ensino Médio. Cada aluno trouxe de casa um alimento (fruta, verdura, legumes e grão) e, com a aplicação de pequenas gotas de iodo, eles puderam observar que a substância mudava de cor (do marrom avermelhado para o preto). Já os alimentos sem as moléculas não mudaram de cor.

Por meio da reação química os alunos também perceberam que os alimentos de origem animal não possuem moléculas de carboidratos diferente dos alimentos de origem vegetal. “É uma constatação simples, mas importante, porque muitos não sabiam o que era carboidrato e a aula prática proporciona isso, para que o aluno consiga ampliar as possibilidades de aprendizado e conhecimento”, disse Leide.

VENDO E APRENDENDO - Ver e entender os conteúdos de movimento uniforme, velocidade e aceleração nunca foram tão fáceis para os alunos do Ensino Médio dos colégios estaduais Professora Helena Ronkoski Fioravante e Manoel Antônio Gomes, ambos do município de Reserva (nos Campos Gerais). É que desde 2017 a professora de Física Janinha Aparecida Pereira, que é mestre em Ensino de Ciências e Tecnologia, resolveu inovar o jeito de repassar os conteúdos aos alunos.

Depois de uma pesquisa feita na internet, ela adaptou um experimento com uma garrafa pet, água e óleo de cozinha, e desenvolveu uma aula prática que fizeram os alunos compreender melhor os conteúdos da disciplina. Com uma seringa, eles injetaram uma gota de óleo em uma garrafa com água graduada de zero a 25cm. Com o movimento da gota, marcado em um cronômetro, os estudantes puderam observar e cronometrar o tempo que a gota levava para passar em cada marcação. Em seguida, eles elaboraram um gráfico com as informações obtidas no exercício, e assim eles conseguiram compreender que no intervalo de espaço iguais e tempo iguais sempre vão obter a mesma velocidade.

“Eles visualizaram o conceito físico de movimento uniforme, velocidade e aceleração na prática e depois pegaram essas informações e elaboraram um gráfico, mas entendendo como chegaram naquele resultado”, explicou Janinha.

“As aulas ficaram mais divertidas e aprender sobre movimento e velocidade é meio complicado na sala, mas com essa atividade prática ficou mais fácil para compreender os conceitos que estavam nos livros”, disse a estudante Caroline Barbara Garrett Ortiz, 14 anos, da 1° série do Ensino Médio.
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