Ensino

08/08/2019

Professora de português usa programa online para ensinar irmãs haitianas

Em abril, quando entrou na sala de aula de sua turma do primeiro ano do Ensino Médio, a professora de Língua Portuguesa Karina da Cruz teve uma surpresa: três irmãs haitianas, recém matriculadas, que não entendiam uma única palavra de português, precisavam aprender. Foi diante dessa necessidade imediata que a professora do Colégio Estadual Professora Edimar Wright, em Almirante Tamandaré, teve o estalo: recorrer à tecnologia para ajudar as novas alunas.

Até então, as irmãs Floranta, Marie Florence e Marie Sophie Noel, recém-chegadas ao Brasil, dominavam apenas a língua crioula haitiana, natural do país de origem. Elas dependiam totalmente do irmão mais novo, o Jean, de dez anos, que fazia o papel de intérprete, para qualquer tipo de interação verbal. Porém, quando ele não estava, elas ficavam praticamente incomunicáveis.

Karina conta, ainda, que as estudantes apenas copiavam o conteúdo, mas não conseguiam absorvê-lo, pois não tinham domínio sobre o idioma do Brasil.

A SOLUÇÃO - Para estabelecer um diálogo mínimo, a professora cedeu o próprio aparelho celular para que, com uma ferramenta online de tradução, as estudantes pudessem compreender o que estava sendo falado.

“Eu coloquei para traduzir do português para o haitiano, que tem uma semelhança com o francês. Falei que estava muito feliz por tê-las ali na escola e que elas eram muito bem-vindas. Elas entenderam perfeitamente e sorriram. Foi a primeira vez que vi um sorriso no rosto delas”, conta a professora.

A ideia deu tão certo que a coordenação cedeu um notebook para cada uma das alunas. Para melhorar o rendimento escolar, a turma foi transferida de uma sala comum para um espaço com internet Wi-Fi disponível. A mudança possibilitou às três alunas acompanharem o restante do grupo com mais facilidade, aprenderem o conteúdo e não apenas copiarem a matéria.

Antes da chegada das novas colegas, a coordenação do colégio fez uma adaptação com os outros alunos. Mesmo assim, a conversação não era simples. Agora, quando querem dialogar, os outros estudantes usam o mesmo método da professora e já não dependem exclusivamente do intérprete.

Na avaliação da docente, o avanço no aprendizado é significativo. A melhora, segundo ela, na disciplina de português foi de aproximadamente 50% e nas demais disciplinas também é possível perceber a evolução de conhecimento.

“Hoje elas não são apenas copistas. Toda terça-feira, eu dou uma hora de reforço para elas, que já começaram a conversar sobre outros assuntos e compreendem boa parte do que eu falo. Elas melhoraram não só na disciplina que eu ensino, mas em todas as outras”, conclui.

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Essa matéria faz parte de uma série de matérias produzidas pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte para mostrar iniciativas, projetos e práticas em sala de aula envolvendo recursos tecnológicos variados. 

É a Tecnologia na Escola aliada ao processo de ensino e aprendizagem!
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