Ensino

03/09/2019

Terceira edição da Prova Paraná terá avaliações em Braille

Marcada para o dia 24 de setembro, a terceira edição da Prova Paraná, aplicada pela Secretaria de Estado da Educação e do Esporte em toda a rede estadual de ensino e nas redes municipais que fizeram adesão, vem com novidade: avaliações escritas no sistema Braille.

A produção do material foi realizada por profissionais do Centro de Apoio Pedagógico para Deficientes Visuais e com Surdocegueira (CAP) de Francisco Beltrão (Sudoeste). Durante vários dias, nove profissionais, todos com habilitação em Educação Especial e conhecimento específico na área visual, dedicaram-se à adaptação das provas de Português e Matemática para estudantes cegos da rede pública paranaense.

Foram produzidas, a pedido de estudantes que dominam o sistema, 19 avaliações em Braille para alunos dos nonos anos do Ensino Fundamental e 15 para as terceiras séries do Ensino Médio. A Secretaria também vai disponibilizar 691 provas ampliadas para estudantes com baixa visão.

TRANSCRIÇÃO E INCLUSÃO – O trabalho de adaptação da Prova Paraná foi similar ao trabalho que o CAP já faz com livros didáticos. A principal diferença consistiu na transcrição das imagens presentes na prova, como gráficos e histórias em quadrinhos. Cada uma delas foi montada manualmente pela equipe, a fim de deixar a figura o mais próximo daquilo que é apresentado aos alunos que não têm problemas de visão.

O primeiro passo é analisar a prova para entender quais os elementos, além do texto em si, que precisam ser adaptados. Cada item é adequado no formato de relevo para que os estudantes usem o tato no momento de interpretar as questões. Depois de pronta, a avaliação passa pelo crivo de um revisor cego.

Coordenadora do CAP de Francisco Beltrão, Josiani Vieira Brenner destaca a importância dessa etapa no processo, já que o intuito da prova é, justamente, promover a inclusão dos deficientes visuais.

“Nós [profissionais do CAP] sabemos o Braille, mas para que o trabalho seja efetivo para a pessoa cega, precisamos de um revisor. Ele lê e informa se compreende aquilo que eu transcrevi. Caso haja essa compreensão, o material final é impresso. É uma participação indispensável”, afirma, reforçando que a prova em Braille precisa ser fidedigna à original. “Se nós queremos que o aluno cego esteja no ensino comum, tudo o que a pessoa que é vidente tem em tinta, eu preciso que esse aluno tenha em Braille”.

CAPs – Iniciativa do Ministério da Educação em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação, os CAPs visam garantir a inclusão da pessoa com deficiência visual no sistema regular de ensino, bem como promover o pleno desenvolvimento e a integração desses alunos em seu grupo social. Trata-se de um serviço de apoio que atua nos núcleos didático-pedagógicos, de tecnologia, de produção em Braille e de convivência

“Os CAPs têm um papel muito importante no processo de inclusão. É graças a esse trabalho, que não é simples e exige muita dedicação, que os alunos cegos que nós atendemos têm a possibilidade de integração. Isso é acessibilidade. Os estudantes passam a ter uma vida acadêmica muito mais independente”, diz a Chefe do Departamento de Educação Especial da Secretaria de Educação, Ângela Mercer de Mello.


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