Ensino

06/09/2019

Programação conscientiza sobre o bullying e ajuda na autoestima de alunos

Ao perceber o aumento no número de relatos sobre bullying e observar o impacto disso na autoestima dos alunos, a pedagoga Danieli Rampelotti, do Colégio Estadual Luiza Ross, no bairro Boqueirão, em Curitiba, entendeu que a escola precisava promover o debate sobre os riscos da prática de atos violentos e repetidos em relação a uma mesma pessoa, e incentivar o acolhimento entre os cerca de mil jovens recebidos todos os dias pelo colégio. 

A pedagoga propôs oferecer aos alunos oficinas de Scratch – software de programação simples, ideal para quem tem pouco conhecimento na área – e trabalhar, por meio da tecnologia, a valorização da vida.

“Eu convidei um aluno que domina a parte tecnológica para ajudar os outros. Ele deu uma palestra sobre uso do celular, o que fazer quando ele é roubado e como recuperar os dados. Também deu as instruções de como usar o software de programação e, a partir daí, eles foram fazendo as próprias criações de bonecos e personagens que incentivassem a valorização da vida e rejeitassem o bullying, que ainda é algo comum, infelizmente, dentro do ambiente escolar”, conta a pedagoga.

O Scratch é um software gratuito de programação em blocos, com versões on-line e off-line, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, da sigla em inglês). A ideia é que qualquer pessoa consiga programar com o software, já que a programação por blocos é bastante intuitiva, pois segue uma lógica de encaixe, em que cada forma e cor possui uma ação diferente.

Por usar uma linguagem simples, todos os participantes puderam usar a imaginação e colocar suas ideias em prática no programa. Nos computadores da escola, os estudantes recriaram situações do cotidiano que influenciam negativamente a vida das pessoas, tais como comentários agressivos e brincadeiras negativas que podem levar a graves problemas psicológicos.

VENCENDO O BULLYING –  Para o estudante da terceira série do Ensino Médio Eduardo Cavanholi, de 17 anos, a iniciativa fez toda a diferença. Ele conta que já sofreu bullying, e que isso influenciou negativamente na sua qualidade de vida e rendimento escolar.

“Achei a iniciativa muito interessante, porque a gente está na escola para aprender. As pessoas esquecem que bullying existe e muita gente não conta para ninguém por medo de perder os amigos. A atividade foi uma forma de fazer com que as pessoas percebessem as consequências disso”, conta o jovem, que disse que “viu a vida mudar” após a iniciativa.

OUTRAS AÇÕES – Além dessa oficina, a direção escolar também ofereceu aos alunos palestras motivacionais e atividades variadas, como grafite e criação de um blog com poesias e frases a favor da vida.

Além disso, foram feitos dois painéis nos corredores da escola. No espaço compartilhado por todos, os estudantes têm a liberdade de deixar frases que reforçam a importância que cada um tem no mundo e como as diferenças devem ser respeitadas.

Segundo a pedagoga Daniele, isso tudo foi muito importante para os alunos. Ela diz que os estudantes receberam muito bem cada ideia porque as ações foram ao encontro exatamente daquilo que eles precisavam, como atenção e sensação de cuidado. Ela acrescenta: “Transformar a vida de um aluno é maravilhoso. Então, foi muito válido”.
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