Colégio Estadual de Apucarana recebe prêmio nacional do CNPq 17/05/2010 - 16:05

O Colégio Estadual Osmar Guaracy Freire, de Apucarana (Norte do Estado), ficou em primeiro lugar no 5.º Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A premiação será realizada nesta terça-feira (18), em Brasília. O colégio foi o representante do Sul do País a vencer na categoria Escola Promotora da Igualdade de Gênero.
Segundo a diretora da escola, Marlene Beletato, a premiação é resultado do trabalho realizado há pelo menos 10 anos, mas o tema da violência contra a mulher foi proposto na semana pedagógica de 2008, tendo continuidade no ano seguinte. “Temas que abordam bulling, discriminação, respeito, convivência saudável se sempre foram discutidos na escola, pois há tradição na escola em se trabalhar ética, cidadania, valores morais”.
Ela explicou que a comunidade escolar é bem mobilizada, porque pais e alunos exercem efetivamente seu papel na gestão democrática. Discutir as diferenças de gêneros para ensinar aos alunos sobre a importância de se combater o preconceito é um trabalho que envolve as disciplinas de Português, Artes e História.

EXEMPLOS - A professora de Português Nair Pagliari conta que sempre inclui o tema sexualidade em sua disciplina. “A partir da pergunta de uma aluna sobre gravidez na adolescência, surgiu a ideia de explorar melhor o tema discriminação e evoluimos para a discussão da violência contra a mulher”, explicou.
Os alunos elaboraram um questionário para avaliar a incidência da violência na comunidade, incluindo a família. “O questionário mostrou que a violência doméstica é muito mais presente que se imaginava”. A repercussão foi tanta que a escola decidiu mobilizar segmentos da sociedade para discutir o tema com os alunos.
“A experiência teve grande impacto na comunidade escolar. Ficou claro que havia grande dificuldade em abordar a temática da violência doméstica e que o assunto era uma preocupação presente entre os estudantes”. O trabalho final foi uma produção de textos sobre o assunto, com referência à Lei Maria da Penha.
O Projeto Raízes do Brasil, idealizado pela professora de História, Salete Zanlorenzi, serviu como referência para o desenvolvimento dos trabalhos sobre gênero. Os temas sobre história e cultura afro-brasileira eram trabalhados conforme a série. Os alunos da 5.ª série produziam gibis sobre a história dos negros; na 6.ª, sobre os reinos africanos; já na 7.ª o tema era a escravidão no Brasil; celebridades negras nacionais e mundiais eram assuntos da 8.ª série; e no ensino médio os temas eram tratados por meio de teatro, dança e grafite.

ALUNOS - Heliezer Luiz Dias dos Santos da Silva, 17 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio relatou que as discussões sobre este tipo de tema são comuns na escola. Ele destacou que o trabalho deu a ele uma nova visão sobre o preconceito. “O projeto ampliou a consciência de que o preconceito atinge não apenas os negros, mas também as mulheres e idosos, pois há vários tipos de discriminação”, comentou.
As discussões e palestrar serviram para mudar o comportamento da aluna Susan Caroline Camargo, 14 anos, 1.º ano do ensino médio. “Hoje isso me mobiliza a questionar mais, a não me calar diante de atos cometidos contra outras pessoas; sei como buscar ajuda. Não dá para ficar de braços cruzados”. Ela ainda concordou que a atitude dos estudantes tem sido mais respeitosa.

COMUNIDADE - O trabalho também contou com o apoio da comunidade escolar. “Acho importante que especialmente meu filho tenha familiaridade com o tema violência contra a mulher. Agora as pessoas param para refletir mais e, com este tipo de formação, cresce um adulto com mais consciência”, destacou Susete Martins, mãe dos estudantes Suellen, 16 anos, e Mateus, 14.
Além das discussões na escola, uma das ações promovidas foi proposta da realização de uma oficina de corte e costura para capacitar mães que tivessem interesse em ser iniciadas na profissão, já que a cidade é um polo industrial. No espaço, elas aprenderam o que é considerado violência, agressão verbal e física, e medidas a serem adotadas em casos de violência.
Segundo a diretora, que representará o colégio na premiação, o dinheiro do prêmio, R$ 10 mil será utilizado no setor pedagógico da escola. O projeto ainda contou com a participação de outras instituições como a Faculdade de Apucarana (FAP), Secretaria Municipal da Mulher, Delegacia da Mulher e 10.º Batalhão de Infantaria Motorizada (BIMtz).
Criado em 2005 pelo CNPq, o prêmio é realizado por concurso de redações para estudantes do ensino médio e de artigos científicos. Nesta edição ocorreu a inclusão dos universitários e a da categoria Escola Promotora da Igualdade de Gênero.