Colégio de Tibagi representa Sul em seminário internacional 16/06/2010 - 15:19
O Colégio Estadual Leopoldina, de Tibagi, representará a região Sul do Brasil no Seminário Internacional da Educação para Avaliação do Projeto EPT/AIDS (Escola Para Todos), que acontecerá em São Paulo, entre dias 22 e 24 de junho. O projeto sobre Saúde e Prevenção na Escola (SPE), que compõe o programa de Educação Sexual para adolescentes, desenvolvido pelo professor Giovani Andrade, será apresentado no evento.
Andrade fará a apresentação da metodologia aplicada para capacitar um grupo de adolescentes, que se torna disseminador de informações sobre sexualidade no âmbito escolar. “É uma imensa satisfação levar este exemplo a um evento internacional, fazer de Tibagi uma referência neste assunto, que é tão importante, mas que ainda encontra dificuldades para entrar em sala de aula”, diz o professor.
Andrade é farmacêutico licenciado em Química Industrial e leciona química para o ensino médio. Faz parte do SPE, programa do governo federal que integra ações de profissionais da educação e da saúde. Foi com alunos de 13 a 16 anos que iniciou o projeto de Educação Sexual para abordar temas como Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Aids, gravidez na adolescência, reprodução humana e cuidados com o corpo.
Multiplicadores – Em encontros nas noites de segundas-feiras, o professor repassa ao grupo de jovens os principais conceitos relacionados à prevenção. Em seguida, os alunos é que se tornam professores e, de sala em sala, palestram sobre a importância dos cuidados com a saúde sexual. “Eles são multiplicadores do conhecimento e, sempre que chamados, vão também a outras escolas e entidades. Usam vários recursos, como os objetos para educação sexual e até elaboram peças teatrais e apresentações musicais”, explica. “O projeto é diferenciado porque estimulamos os adolescentes a conversarem entre si. É mais fácil quando um adolescente fala para o outro, rende mais do que quando o professor tenta tratar o assunto na aula”, acredita.
Nos encontros semanais, a sala de atividade fica repleta de objetos que despertam a curiosidade dos estudantes, mas desde o início, preconceitos e mitos ficam do lado de fora, segundo o professor. “Por isso é importante a conversa que temos com todos os pais dos alunos envolvidos no projeto antes de eles ingressarem”, ressalta. São réplicas do corpo humano, dos órgãos reprodutivos, preservativos feminino e masculino, anticoncepcionais e até bonequinhos de pano que mostram como os órgãos sexuais interagem durante uma relação. “Estes bonequinhos foram confeccionados por uma zeladora da escola e fazem bastante sucesso, porque de forma didática elucidam muito bem as dúvidas sobre o ato sexual”, diz Andrade.
Experiência – Bruno de Oliveira Lopes, 17 anos, participa do projeto há dois anos e fala com muita desenvoltura sobre sexo e prevenção. “Muitas vezes os pais não falam com os filhos por vergonha e a gente acaba repassando o que aprende aqui para os colegas. É um assunto que, cedo ou tarde, todo mundo vai ter de abordar”, comenta o adolescente.
Para Bruno, a timidez sai de cena quando se trata o assunto de forma natural. “No começo tinha receio de falar, mas aos poucos a gente se acostuma e no final é até divertido”, revela. Ele conta que seu grupo, hoje com oito integrantes, costuma trabalhar com públicos de diferentes idades e por isso a linguagem é adaptada. “Mesmo com as criancinhas do ensino fundamental é preciso falar sobre reprodução humana, muitos querem saber porque ouviram alguém falar. Aos poucos vamos conseguir mudar algumas coisas e assim ajudamos a construir um mundo melhor”, visualiza.
Suellen Barbosa, de 16 anos, enfatiza que a formação semanal é interessante porque representa a oportunidade de aprender mais sobre o assunto. “É um tema gostoso de trabalhar e agora ver que este trabalho vai representar o Sul do país neste evento é uma vitória, tanto para nós, quanto para o professor. Foi bom ter continuado”, descreve. Ela destaca ainda que todos os alunos envolvidos nas atividades do programa precisam comprovar boas notas, comportamento e frequência escolar. “Quero ver resultados”, reforça o professor.
O programa também tem a participação da professora Josete Gomes e das enfermeiras Natasha Dutchko e Nilceia Agostinho, da Vigilância Epidemiológica. Atualmente, 15 adolescentes integram as ações no Colégio Leopoldina.
Situações curiosas – Nas palestras, os adolescentes colocam uma caixa de perguntas para os alunos escreverem suas dúvidas sem precisar se identificar. “Já tivemos muitas questões curiosas, como se o órgão reprodutivo feminino tem dentes”, diz Bruno, lembrando que conhecer o próprio corpo é muito importante para saber como se prevenir de doenças e planejar a vida familiar.
O professor Andrade lembra de situações críticas, como quando uma criança perguntou se ter relação sexual causa desmaios. “Não entendi bem o que a menininha queria dizer e, investigando melhor, descobri que ela tinha ouvido a mãe e a vizinha comentarem um caso de abuso sexual, em que a mulher havia desmaiado após um estupro”, relembra. “Até para alertar as crianças sobre esse tipo de risco, nossas atividades se tornam importantes”, finaliza.
Resultados – De acordo com Giovani Andrade, pesquisa feita pelo governo estadual mostrou que com as atividades do programa Saúde e Prevenção na Escola (SPE), os resultados já são positivos. “Houve 39% de redução do índice de gravidez na adolescência no Paraná em 2009 em relação a 2008”, aponta.
Seminário - Com vistas no fortalecimento da educação pública na prevenção de doenças, o Seminário Internacional da Educação para Avaliação do Projeto EPT/AIDS terá a participação de representantes de sindicatos de trabalhadores em educação filiados à Internacional da Educação para a América Latina (IE-AL) e coordenadores do Programa DST-Aids-Brasil desenvolvido pelas afiliadas da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) junto às escolas públicas.
O Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) é uma das ações do Programa Saúde na Escola (PSE), que tem a finalidade de contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde.
A proposta do projeto é realizar ações de promoção da saúde sexual e da saúde reprodutiva de adolescentes e jovens, articulando os setores de saúde e de educação. Com isso, espera-se contribuir para a redução da infecção pelo HIV/IST e dos índices de evasão escolar causada pela gravidez na adolescência (ou juvenil), na população de dez a 24 anos.
Esse projeto, alicerçado em uma demanda da população, foi implantado nos 26 estados do Brasil, no Distrito Federal e em aproximadamente 600 municípios. Segundo a Secretária de Relações Internacionais da CNTE, Fátima Silva, o Brasil entrou nesse projeto para mostrar o êxito das políticas públicas desenvolvidas no país para a prevenção.
O Programa DST/AIDS (EPT-AIDS/Brasil) é uma iniciativa da Internacional de Educação (IE) que convidou a CNTE para atuar como parceira diante do aumento dos casos de AIDS entre educadores. O objetivo do programa é conscientizar os trabalhadores em educação para que se previnam da doença, ao mesmo tempo em que possam levar informações à sala de aula para que os alunos se previnam também.
Com Emanoelle Wisnievski, da Assessoria de Comunicação da prefeitura de Tibagi.
Foto de Christian Camargo
Andrade fará a apresentação da metodologia aplicada para capacitar um grupo de adolescentes, que se torna disseminador de informações sobre sexualidade no âmbito escolar. “É uma imensa satisfação levar este exemplo a um evento internacional, fazer de Tibagi uma referência neste assunto, que é tão importante, mas que ainda encontra dificuldades para entrar em sala de aula”, diz o professor.
Andrade é farmacêutico licenciado em Química Industrial e leciona química para o ensino médio. Faz parte do SPE, programa do governo federal que integra ações de profissionais da educação e da saúde. Foi com alunos de 13 a 16 anos que iniciou o projeto de Educação Sexual para abordar temas como Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Aids, gravidez na adolescência, reprodução humana e cuidados com o corpo.
Multiplicadores – Em encontros nas noites de segundas-feiras, o professor repassa ao grupo de jovens os principais conceitos relacionados à prevenção. Em seguida, os alunos é que se tornam professores e, de sala em sala, palestram sobre a importância dos cuidados com a saúde sexual. “Eles são multiplicadores do conhecimento e, sempre que chamados, vão também a outras escolas e entidades. Usam vários recursos, como os objetos para educação sexual e até elaboram peças teatrais e apresentações musicais”, explica. “O projeto é diferenciado porque estimulamos os adolescentes a conversarem entre si. É mais fácil quando um adolescente fala para o outro, rende mais do que quando o professor tenta tratar o assunto na aula”, acredita.
Nos encontros semanais, a sala de atividade fica repleta de objetos que despertam a curiosidade dos estudantes, mas desde o início, preconceitos e mitos ficam do lado de fora, segundo o professor. “Por isso é importante a conversa que temos com todos os pais dos alunos envolvidos no projeto antes de eles ingressarem”, ressalta. São réplicas do corpo humano, dos órgãos reprodutivos, preservativos feminino e masculino, anticoncepcionais e até bonequinhos de pano que mostram como os órgãos sexuais interagem durante uma relação. “Estes bonequinhos foram confeccionados por uma zeladora da escola e fazem bastante sucesso, porque de forma didática elucidam muito bem as dúvidas sobre o ato sexual”, diz Andrade.
Experiência – Bruno de Oliveira Lopes, 17 anos, participa do projeto há dois anos e fala com muita desenvoltura sobre sexo e prevenção. “Muitas vezes os pais não falam com os filhos por vergonha e a gente acaba repassando o que aprende aqui para os colegas. É um assunto que, cedo ou tarde, todo mundo vai ter de abordar”, comenta o adolescente.
Para Bruno, a timidez sai de cena quando se trata o assunto de forma natural. “No começo tinha receio de falar, mas aos poucos a gente se acostuma e no final é até divertido”, revela. Ele conta que seu grupo, hoje com oito integrantes, costuma trabalhar com públicos de diferentes idades e por isso a linguagem é adaptada. “Mesmo com as criancinhas do ensino fundamental é preciso falar sobre reprodução humana, muitos querem saber porque ouviram alguém falar. Aos poucos vamos conseguir mudar algumas coisas e assim ajudamos a construir um mundo melhor”, visualiza.
Suellen Barbosa, de 16 anos, enfatiza que a formação semanal é interessante porque representa a oportunidade de aprender mais sobre o assunto. “É um tema gostoso de trabalhar e agora ver que este trabalho vai representar o Sul do país neste evento é uma vitória, tanto para nós, quanto para o professor. Foi bom ter continuado”, descreve. Ela destaca ainda que todos os alunos envolvidos nas atividades do programa precisam comprovar boas notas, comportamento e frequência escolar. “Quero ver resultados”, reforça o professor.
O programa também tem a participação da professora Josete Gomes e das enfermeiras Natasha Dutchko e Nilceia Agostinho, da Vigilância Epidemiológica. Atualmente, 15 adolescentes integram as ações no Colégio Leopoldina.
Situações curiosas – Nas palestras, os adolescentes colocam uma caixa de perguntas para os alunos escreverem suas dúvidas sem precisar se identificar. “Já tivemos muitas questões curiosas, como se o órgão reprodutivo feminino tem dentes”, diz Bruno, lembrando que conhecer o próprio corpo é muito importante para saber como se prevenir de doenças e planejar a vida familiar.
O professor Andrade lembra de situações críticas, como quando uma criança perguntou se ter relação sexual causa desmaios. “Não entendi bem o que a menininha queria dizer e, investigando melhor, descobri que ela tinha ouvido a mãe e a vizinha comentarem um caso de abuso sexual, em que a mulher havia desmaiado após um estupro”, relembra. “Até para alertar as crianças sobre esse tipo de risco, nossas atividades se tornam importantes”, finaliza.
Resultados – De acordo com Giovani Andrade, pesquisa feita pelo governo estadual mostrou que com as atividades do programa Saúde e Prevenção na Escola (SPE), os resultados já são positivos. “Houve 39% de redução do índice de gravidez na adolescência no Paraná em 2009 em relação a 2008”, aponta.
Seminário - Com vistas no fortalecimento da educação pública na prevenção de doenças, o Seminário Internacional da Educação para Avaliação do Projeto EPT/AIDS terá a participação de representantes de sindicatos de trabalhadores em educação filiados à Internacional da Educação para a América Latina (IE-AL) e coordenadores do Programa DST-Aids-Brasil desenvolvido pelas afiliadas da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) junto às escolas públicas.
O Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) é uma das ações do Programa Saúde na Escola (PSE), que tem a finalidade de contribuir para a formação integral dos estudantes da rede pública de educação básica por meio de ações de prevenção, promoção e atenção à saúde.
A proposta do projeto é realizar ações de promoção da saúde sexual e da saúde reprodutiva de adolescentes e jovens, articulando os setores de saúde e de educação. Com isso, espera-se contribuir para a redução da infecção pelo HIV/IST e dos índices de evasão escolar causada pela gravidez na adolescência (ou juvenil), na população de dez a 24 anos.
Esse projeto, alicerçado em uma demanda da população, foi implantado nos 26 estados do Brasil, no Distrito Federal e em aproximadamente 600 municípios. Segundo a Secretária de Relações Internacionais da CNTE, Fátima Silva, o Brasil entrou nesse projeto para mostrar o êxito das políticas públicas desenvolvidas no país para a prevenção.
O Programa DST/AIDS (EPT-AIDS/Brasil) é uma iniciativa da Internacional de Educação (IE) que convidou a CNTE para atuar como parceira diante do aumento dos casos de AIDS entre educadores. O objetivo do programa é conscientizar os trabalhadores em educação para que se previnam da doença, ao mesmo tempo em que possam levar informações à sala de aula para que os alunos se previnam também.
Com Emanoelle Wisnievski, da Assessoria de Comunicação da prefeitura de Tibagi.
Foto de Christian Camargo


