Cursos de formação sobre gênero e diversidade sexual atenderam mais de 29 mil profissionais da educação 23/12/2010 - 18:36

Em aproximadamente dois anos, cursos de formação continuada da Secretaria de Estado da Educação (SEED), realizados pelo Departamento da Diversidade (DEDI), por meio do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (NGDS) atenderam mais de 29 mil profissionais da educação nas questões de gênero e diversidade sexual nas escolas. Apenas nas atividades do Itinerante 2010, participaram mais de 24 mil profissionais, além das demais atividades de formação realizadas nesse período.
A discussão da política pública educacional de gênero e diversidade sexual da SEED ao longo do processo de implementação e, efetivada de forma permanente, articula as ações que envolvem toda a comunidade escolar. “O enfrentamento ao sexismo, lesbofobia, homofobia, transfobia e racismo nas escolas visa à superação do preconceito e da discriminação nesses espaços e a garantia da universalização da educação como um direito de todas e todos”, explicou Dayana Brunetto, coordenadora do NGDS.
Somente nos sábados deste mês de dezembro, 250 professores participaram do curso “Construindo a igualdade na escola – enfrentamento da homofobia e sexismo”, promovido pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) no qual a discussão abordou a política pública educacional de Gênero e Diversidade Sexual da SEED. “Nessas reuniões, eu e a professora Dra. Nanci Stancki da Luz discutimos com as/os participantes sobre como se constrói uma política pública teoricamente e na prática”, comentou.
No Itinerante 2010 foram realizadas 875 oficinas temáticas que abordaram as questões de gênero como relações de poder, a diversidade sexual e os direitos sexuais e reprodutivos, além do enfrentamento ao sexismo, machismo, lesbofobia, homofobia, transfobia e racismo nas escolas. Participaram dessas oficinas de Gênero e Diversidade Sexual 24.366 profissionais da educação, dentre os quais funcionárias/os, professoras/es, pedagogas/os e direção das escolas.
Grupos de estudos também foram realizados aos sábados e contaram com 2.557 participantes. Esses grupos tiveram como foco de discussão o currículo e gênero e diversidade sexual, a polêmica construída em relação às pulseiras do sexo e a homofobia.
O constante diálogo com as instituições de ensino superior rendeu importantes parcerias para a formação das/os profissionais da educação. O “Curso de Gênero e Diversidade na Escola (GDE)”, realizado em parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), ofereceu formação a 1.437 professoras/es, pedagogas/os e diretoras/es. Esse curso perfez um total de 200h de formação - 170h a distância e 30h presenciais. Diversidade cultural, gênero, diversidade sexual e relações etnicorraciais foram os temas abordados.
O curso “Saúde e Prevenção nas Escolas – SPE”, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SESA), atendeu cerca de 1.000 professoras/es. A formação foi realizada de forma descentralizada em escolas da rede pública estadual. Nestes cursos, as/os professoras/es e também as/os técnicas/os da Unidade de Saúde mais próxima à escola estadual participavam de mini cursos sobre gênero, diversidade sexual, direitos sexuais e reprodutivos, gravidez entre jovens, prevenção às DST/Aids, sexismo, lesbofobia, homofobia, transfobia e racismo. Além de discutir e planejar o desenvolvimento de uma ação integrada entre educação e saúde nas escolas. Ao final, apresentavam um plano de ação a ser aplicado na escola, de acordo com a sua realidade.
O SPE consiste em uma formação normatizada por Decreto Presidencial e é ofertado na maioria dos Estados da Federação. Na maioria desse Estados essa ação se pauta por uma concepção biológica da sexualidade. “No Paraná a abordagem se fundamenta em uma concepção sócio-histórica da sexualidade, na qual são discutidas as relações de gênero como relações de poder, a diversidade sexual, prevenção às DST/Aids, gravidez entre jovens e, enfrentamento ao preconceito e a discriminação nas escolas”, afirmou Dayana Brunetto.
Além do material encaminhado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Saúde (MS), a SEED forneceu um livro de fundamentação teórica sobre a abordagem sócio-histórica da sexualidade com vistas a enriquecer ainda mais as intervenções pedagógicas nas escolas.