Escola de aldeia indígena recebe visitas de estudantes 25/04/2011 - 10:00
A Escola Estadual Indígena Mbya Arandu se tornou um referencial para pesquisa universitária. Nela estudam 25 indígenas que cursam da 2ª à 7ª séries e, frequentemente, recebem visitas de estudantes de curso de Pedagogia de várias instituições de ensino superior. “Eles vêm para conhecer a aldeia e para aprender como é a educação escolar indígena”, disse a vice-cacique Florinda da Silva, que também é professora de Guarani dos alunos de 2ª a 5ª séries.
Com professores do município de Piraquara e professores indígenas da própria aldeia, a escola possuí um calendário diferenciado, porém com a mesma carga horária das demais escolas estaduais. Os alunos aprendem as disciplinas pertencentes à grade curricular, além do Guarani (a primeira língua na aldeia) e espanhol.
As visitas são necessárias para que diferentes comunidades possam interagir com a realidade desses índios. “Gosto muito quando converso com pessoas de outras escolas”, disse Denise, 10 anos, aluna da 5ª série.
A escola ainda conta com o apoio da Casa de Reza, espaço sagrado da aldeia e local democrático para pais e professores falarem abertamente sobre questões da escola, além de cobrarem atividades e discutirem os caminhos da educação dos alunos. “O lugar também preserva a cultura indígena porque os alunos mantêm semanalmente as tradições e aprendem artesanato”, conta a diretora da escola Isabel Goulart da Costa, que também vive na comunidade.
OESTE - A aldeia indígena Tekohá Añetete, recebeu na semana passada mais de 2 mil pessoas, entre alunos, professores, e interessados em conhecer a cultura guarani. O motivo foi a Semana Cultural Indígena realizada em parceria pelas duas aldeias indígenas de Diamante do Oeste, Tekohá Añetete e Tekohá Itamarã. Foram realizadas uma caminhada na natureza, apresentações culturais das tradições, dança, medicina natural e venda de artesanato. Essa foi a quinta edição do evento. “O objetivo é mostrar aos visitantes a cultura indígena, o modo de viver do guarani, e assim também desfazer alguns pré-conceitos”, afirmou o diretor da Escola Kuaa Mbo’e, Jairo César Bortolini.
Para os futuros professores uma experiência importante, que irá refletir na maneira de trabalhar a história do Brasil e a situação dos povos indígenas, com os futuros alunos. “Foi uma mistura de culturas, uma oportunidade de entender a cultura do outro e interagir. Percebe-se que há um entendimento entre as duas culturas, a do homem branco e a do índio”, opinou Gabriel Maico Buaszchak, aluno do 2º ano do curso de Formação de Docentes, do Colégio Estadual Presidente Castelo Branco, de Toledo.
Depois de conhecer a escola indígena, os alunos visitaram o assentamento do Movimento Sem Terra, Ander Rodolfo Henrique, que também fica em Diamante do Oeste.
EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA - Existe hoje no Paraná uma população aproximada de 15 mil índios. A Seed atua em parceria com as comunidades indígenas para garantir, além de uma educação de qualidade, a preservação da memória cultural destes povos no Paraná. São 36 escolas indígenas com 3.674 alunos matriculados na educação infantil e ensino médio, onde atuam 161 professores indígenas. “Elaboramos diretrizes para as escolas indígenas do Paraná garantindo uma educação intercultural, bilíngue e diferenciada, respeitando as especificidades dessas comunidades e perpetuando as tradições e cultura das diferentes etnias indígenas do Estado”, ressalta Luciane Mendes, diretora do Departamento da Diversidade.
As políticas públicas para as comunidades indígenas atendem a necessidade de diferenciar educação indígena, aquela propiciada pela comunidade, da educação escolar indígena, ofertada pelo Estado ou município. É uma educação laica, articulando saberes tradicionais com os códigos da sociedade nacional. Ainda são estabelecendo parcerias com outras instituições para atender demandas existentes nas comunidades indígenas.
No Colégio Estadual Indígena Rio das Cobras, no município de Nova Laranjeiras, são atendidos 364 estudantes da etnia kaingang do Ensino Fundamental, Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). A escola, fundada em 2002, consegue promover ações que obedecem tanto às orientações da Seed quanto às leis da comunidade kaingang. “É de grande importância para nós termos uma escola voltada para os membros da etnia, por que isso valoriza a cultura da comunidade e eles se sentem muito bem em um ambiente assim”, ressalta o diretor Valmir Dorivon.
Os professores da primeira e segunda séries são membros da comunidade indígena e dominam a língua da aldeia para o melhor aprendizado das crianças – segundo orientação da Secretaria. Os alunos entram nas séries iniciais falando apenas a língua kaingang e na escola eles têm os primeiros contatos com a língua portuguesa.
A escola Rio das Cobras conta com três professores indígenas. Existem também professores que não pertencem à comunidade e são pré-selecionados de acordo com as especificidades da comunidade e as normas da Secretaria. “A grande maioria dos nossos professores não são indígenas, mas possuem a formação adequada”, lembra Valmir. A Seed oferece um curso de formação inicial e continuada para os professores membros das comunidades.
MATERIAL DIDÁTICO - O material produzido pelos professores kaingang e guarani do Paraná assegura que a educação indígena seja intercultural, específica, diferenciada e bilíngue. Com a publicação das obras, a Seed busca apoiar as práticas pedagógicas no âmbito das escolas estaduais indígenas da rede pública de ensino. As obras em kaingang são bilingues – escritas também em português. Todos os materiais são produzidos nas cinco ramificações que existem na língua kaingang.
Já a língua guarani é dividida em três ramificações: Nhandewa, Mbya e Ava. Cada publicação é feita em uma das ramificações. A Seed ainda disponibiliza obras em outras variações da língua caso a escola precise.
Em 1991 o decreto número 26, artigo 1°, determinou que a educação indígena fosse coordenada pelo Ministério da Educação (MEC) e desenvolvidas pelas Secretarias estaduais de educação. Entre algumas das orientações do Ministério está a produção de materiais didático nas línguas das comunidades atendidas pelas escolas. Os professores produzem os livros e a Secretarias publicam. Algumas obras vão apenas para as escolas indígenas, outras vão para as escolas regulares também. O objetivo é que os alunos regulares tenham contato com a cultura indígena.
SALA DE RECURSOS – A Escola Estadual Indígena Segso Tanh As, no município de Palmas, conta com o programa Sala de Recursos para atendimento de alunos que apresentam deficiência intelectual ou distúrbios funcionais específicos desde o início do ano. Nas dinâmicas de trabalho com os alunos são utilizados livros ampliados para alunos albinos portadores de deficiência visual e atividades pedagógicas que desenvolvam o raciocínio lógico e abstrato. Além da escrita, leitura, oralidade e matemática.


