Escolas das ilhas de Guaraqueçaba conquistam autonomia administrativa 22/12/2010 - 18:41

O ano de 2010 representou mais do que apenas um ano letivo para as comunidades escolares de pescadores e ilhéus do município de Guaraqueçaba. As escolas das ilhas, que eram subsedes do Colégio Estadual Marcílio Dias, conquistaram autonomia pedagógica e administrativa e foram promovidas a Colégio Estadual Ilha das Peças, Colégio Estadual Ilha Rasa e Colégio Estadual Ilha de Superagui. Elas ofertam o ensino fundamental e ensino médio nas próprias localidades.
Segundo Wagner Roberto do Amaral, chefe do Departamento da Diversidade (DEDI), foi elaborada em conjunto com educadores locais, lideranças da ilha e docentes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma proposta pedagógica adequada às realidades vividas por aquelas comunidades. “Desta forma foi possível dar a estas escolas visibilidade, afirmando a autoestima dos alunos e refletindo criticamente sobre as questões vivenciadas por eles. Queremos que as populações das ilhas, assim como todas os demais povos e comunidades tradicionais do campo tenham dignidade e qualidade de vida."
O desafio ainda é melhorar a infraestrutura desses colégios. “Existe a previsão da construção de prédios próprios pela SEED, para o ano de 2011. A população das ilhas merece muito mais se considerarmos a dívida social histórica do Estado do Paraná e Brasileiro com ela", completou o chefe.
Desde 2009, foram realizados avanços na área pedagógica no local com a construção da proposta pedagógica das escolas das Ilhas do litoral paranaense. “Essa proposta trabalha em caráter experimental com a organização curricular por área do conhecimento, mantém uma relação de integração entre as partes, e os conteúdos das disciplinas da Educação Básica, considerando a realidade vivenciada em cada ilha”, informou o diretor do Colégio Estadual Ilha das Peças, Fernando Brock.
Além da criação e autorização de funcionamento das escolas, a Secretaria de Estado da Educação (SEED), por meio do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Paranaguá, atendeu um público que não tinha acesso à educação. “Eu terminei a 4ª série muito jovem e só fui concluir meus estudos 20 anos mais tarde”, disse Maria Alcinda Francisco Viana Rita, pescadora e mãe de alunos.
Ela ainda lembrou que, com os novos colégios, a preocupação com a segurança de seus filhos diminuiu. “Hoje, nossos filhos podem vir à escola com facilidade, não é preciso pegar barco e a preocupação é bem menor”, completou Maria.
Em visita no último domingo (19), a superintendente de Educação, Alayde Digiovanni, comprovou o trabalho que vem sendo realizado na Ilha das Peças. “Dados revelam Muitos estudantes retornaram aos estudos, somente um jovem de 19 anos está, ainda, fora da escola, e eles tem colocado todos os esforços na direção de trazê-lo de volta”, comentou. Outro ponto positivo é que os pais dos alunos também estudam à noite na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e todos os moradores da ilha são alfabetizados.
Criadas em 2010, as escolas da ilhas atendem aproximadamente 350 alunos oriundos de 12 comunidades de pescadores. Este ano, cerca de 50 alunos completarão o ensino fundamental. A Prefeitura Municipal de Guaraqueçaba é parceira do Governo Estadual e possibilitou a utilização do espaço físico das escolas municipais nas comunidades.
Segundo o Coordenador Estadual da Educação do Campo, Vitor de Moraes, somente após às discussões provocadas pela Coordenação durante os de 2003 a 2010 é que houve o entendimento da necessidade do atendimento educacional aos sujeitos de direito e no lugar onde vivem. "Foi no diálogo permanente com os sujeitos das Ilhas, escolas, NRE e SEED, é que foi possível a concretização da autonomia pedagógica e administrativa estas escolas".