João Cândido, o herói negro, é tema do 7º Encontro de Educadores Negros e Negras 24/11/2010 - 17:30
Com o tema A Revolta da Chibata à resistência contemporânea o 7º Encontro de Educadores Negros e Negras do Paraná homenageia o herói negro João Cândido. O evento, que acontece no Centro de Formação Continuada de Faxinal do Céu, município de Pinhão, faz uma co-relação com a resistência do povo negro na atualidade por meio de ações voltados à educação. O encontro é uma realização da Secretaria de Estado da Educação (SEED), por meio do Departamento da Diversidade e em parceria com o Fórum Paranaense de Educação e Diversidade Etnicorracial (FPEDER) vai até sexta-feira (26).
Segundo Wagner Roberto Amaral, chefe do DEDI, o encontro fundamenta as estratégias no contexto da educação etnicorracial que está ocorrendo no Estado do Paraná e sinaliza a perspectiva de ações para o próximo governo “Neste momento de transição é fundamental essa reflexão sobre as ações políticas desafios e conquistas para negros e negros iniciadas em 2004”, destacou.
Ele também comentou da importância das ações realizadas nos últimos anos para fortalecimento da efetivação da lei como a recente criação formal das equipes multidisciplinares, bem como a elaboração dos cadernos temáticos, a agenda de formação continuada que capacitaram vários educadores por todo Estado. Amaral destaca ainda a criação das escolas quilombolas e a elaboração de proposta pedagógicas específicas e monstrando a prioridade do trabalho com a população negra no último governo “É muito importante que não aja retrocesso dessas ações, para que a população afrobrasileira tenha a visibilidade necessária na educação, conforme estabelece a lei 10.639/2003”, ressalta.
O encontro nasceu de uma necessidade de propor ações e discussões conjuntas entre o movimento negro e os educadores do Estado. O coordenador do Núcleo de Estudos Etnicorraciais e Afrodescendência (NEREA), Cassius Marcelus Cruz, explicou que o encontro busca também analisar os limites existentes na implantação da lei 10.639/2003 que torna obrigatório o ensino da história da África e cultura afrobrasileira nas escolas.
No evento, os educadores puderam refletir sobre a importância da ação realizada por João Cândido (Almirante Negro) no Rio de Janeiro em 1910. Na abertura houve a leitura da “Carta dos Marinheiros” documento enviado ao presidente da República Hermes da Fonseca pedindo para que fosse abolida a chibata aos marinheiros negros e pardos como castigo pelos atos infracionais cometidos e que cessassem imediatamente as condições desiguais aplicadas pelos oficiais da marinha da época, sob o risco de bombardearem a capital nacional, Rio de Janeiro.
O coordenador do evento técnico Denilto Laurindo ressaltou que as edições do evento resultaram em ações relevantes voltadas à educação etnicorracial. Entre as diversas propostas levantadas e concretizadas, destaca-se a criação do Fórum de Educação para Relações Enicorraciais (Fpeder), a criação da Federação Quilombola do Paraná e a criação do Fórum das Religiões de Matriz Africana.
Laurindo destaca que uma importante ação foi a criação a categoria racismo na Ouvidoria da Secretaria de Estado da Educação do Paraná em junho de 2010 “Anteriormente todas as situações de racismo ocorridas nas escolas entravam como bulling nas denúncias realizadas”, conta. Outro ponto que o coordenador enfatizou foi em relação à implementação do Pacto Paranaense pela Igualdade Racial, proposta assinada com 15 Secretarias de Estado em 24 de novembro de 2009.
O primeiro dia de atividades contou com a palestra “Ações Afirmativas, Políticas Públicas de Reparação” com o assessor de imprensa da APP Sindicato Luiz Carlos Paixão Durante as discussões o professor Paixão resgatou para os educadores alguns pontos importantes na luta da construção das políticas públicas para população negra. Entre elas, a Marcha Zumbi dos Palmares, ocorrida em Brasília em 1995. “Na Marcha foi levada, ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, a necessidade de se rever o processo educacional onde o negro era ainda era apresentado de forma invisível enquanto contribuidor da formação brasileira”.
Ele enfatizou que nesse momento se estabelecia que a escola se configurava como espaço privilegiado do ensino do racismo, por meio dos materiais didáticos que reforçavam idéias preconceituosas, supervalorizava a população branca em detrimento do povo negro. E impunha que negros e brancos tinham destinos diferentes. O professor ressaltou que todas essas lutas foram responsáveis pelas ações que estão ocorrendo nos últimos anos, como a criação da lei 10.639/2003.
Maria de Lourdes já desenvolveu dois anos seguidos de projetos da área racial. O primeiro “Tarde cultural afro-brasileira” e também desenvolveu em conjunto com professores de história, arte, geografia, português a Semana da Consciência Negra com exposições de materiais da arte negra confeccionado pelos próprios alunos. “Como hoje todos os funcionários das escolas são considerados educadores, me sinto gratificada por desenvolver projetos como esses, pois valoriza o meu trabalho dentro da escola.
Esta é a quinta edição que participo e é muito importante porque recolho muito material que vai ajudar nos projetos que faço na escola, esclarece muitas dúvidas. Um que me chamou atenção foi a discussão com relação as cotas raciais, eu tinha uma idéia complemente errata sobre isso. Achava que englobava todos os afrodescedentes, sem importar a cor da pele. E pela palestra da socióloga Marcilene ficou claro que não é bem isso”, contou.
A doutora em Sociologia presidente do IPAD, Marcilena Garcia de Souza discutiu a questão do racismo focando na temática das cotas, principalmente voltada ao serviço público, tema da sua tese de doutorado. “Não é possível, e é um grande equivoco, pensar nas desigualdades sociais que atingem os negros somente pela perspectiva de classe e não de cor”. Durante sua fala, a socióloga destacou as desigualdades ainda existentes entre a população branca e negra no Brasil. Deu ênfase aos dados do DIEESE que apontou que o branco tem três vezes maior chance de conseguir uma vaga de emprego concorrendo com um negro. E que o negro ainda chega a ganhar 50% menos que o branco. “A partir desse olhar se configura impossível pensar em discutir universalidade da população pobre do Brasil”.
Para a auxiliar administrativo Maria de Lurdes Vidal do Colégio Estadual Santos Dumont, em Apucarana, o evento contribuiu nas pesquisas realizadas por ele para trabalhar as questões raciais na escola. Maria busca auxiliar no desenvolvimento da lei 10.639 apoiando os professores desenvolvendo pesquisas com materiais focados na questão racial, filme, documentário, reportagens.
Oficinas - Na oficina Equipe Multiciplinares foi trabalhado três focos: a legislação, parte histórica da constituição das equipes multidiciplinares apresentada pela técnica Cristiane Brito do Nerea/PR. A parte prática com exemplo apresentado pela professora Jane Marcia e a atuação política do impacto das equipes para o trabalho da educação etnicorracial nas escolas, apresentada por Neuton Damásio Pereira, professor do Colégio Estadual Lacerda Braga, em Colombo.
O colégio é pioneiro na constituição das equipes multidisciplinares. Pereira destaca que além dos professores que fizeram a composição formal da equipe, participam diversos outros professores e funcionários no trabalho da educação etnicorracial e na discussão da diversidade no espaço escolar. “Durante o tempo em que há o trabalho na escola, observou-se uma valorização dos alunos negros e, além disso, houve por parte de professores negros o seu reconhecimento enquanto negro, um novo olhar sobre sua cultura num processo também voltado à sua valorização”, Pereira.
A oficina realizada com os educadores procurou trabalhar também a conscientização da importância de se discutir as questões raciais no espaço escolar. O professor completou que as ações de discussão das equipes são amplas e seu foco não se limita apenas ao espaço de sala de aula, mas sim, nas relações existentes entre alunos, professores, escolas e comunidade.
Também aconteceram oficinas temáticas como capoeira, maculelê, jongo, dança afro, hip hop, quilombolas resistência de movimento negro, etnomatemática, representação do negro no corpo negro e arte negra no Estado do Paraná.
Programação - Nesta quarta-feira (24) os professores voltam a ter as oficinas em regime de alternância, além da mesa de discussão Gênero e Diversidade Sexual, mesa entre Instituições de Ensino Superior e Gestores, avanços e propostas. Na quinta-feira (25) haverá a mesa Sujeitos e Políticas Públicas no Paraná e na sexta-feira (26) o tema é Intolerância Religiosa. O evento fecha com aprovação da Carta Negra.
Segundo Wagner Roberto Amaral, chefe do DEDI, o encontro fundamenta as estratégias no contexto da educação etnicorracial que está ocorrendo no Estado do Paraná e sinaliza a perspectiva de ações para o próximo governo “Neste momento de transição é fundamental essa reflexão sobre as ações políticas desafios e conquistas para negros e negros iniciadas em 2004”, destacou.
Ele também comentou da importância das ações realizadas nos últimos anos para fortalecimento da efetivação da lei como a recente criação formal das equipes multidisciplinares, bem como a elaboração dos cadernos temáticos, a agenda de formação continuada que capacitaram vários educadores por todo Estado. Amaral destaca ainda a criação das escolas quilombolas e a elaboração de proposta pedagógicas específicas e monstrando a prioridade do trabalho com a população negra no último governo “É muito importante que não aja retrocesso dessas ações, para que a população afrobrasileira tenha a visibilidade necessária na educação, conforme estabelece a lei 10.639/2003”, ressalta.
O encontro nasceu de uma necessidade de propor ações e discussões conjuntas entre o movimento negro e os educadores do Estado. O coordenador do Núcleo de Estudos Etnicorraciais e Afrodescendência (NEREA), Cassius Marcelus Cruz, explicou que o encontro busca também analisar os limites existentes na implantação da lei 10.639/2003 que torna obrigatório o ensino da história da África e cultura afrobrasileira nas escolas.
No evento, os educadores puderam refletir sobre a importância da ação realizada por João Cândido (Almirante Negro) no Rio de Janeiro em 1910. Na abertura houve a leitura da “Carta dos Marinheiros” documento enviado ao presidente da República Hermes da Fonseca pedindo para que fosse abolida a chibata aos marinheiros negros e pardos como castigo pelos atos infracionais cometidos e que cessassem imediatamente as condições desiguais aplicadas pelos oficiais da marinha da época, sob o risco de bombardearem a capital nacional, Rio de Janeiro.
O coordenador do evento técnico Denilto Laurindo ressaltou que as edições do evento resultaram em ações relevantes voltadas à educação etnicorracial. Entre as diversas propostas levantadas e concretizadas, destaca-se a criação do Fórum de Educação para Relações Enicorraciais (Fpeder), a criação da Federação Quilombola do Paraná e a criação do Fórum das Religiões de Matriz Africana.
Laurindo destaca que uma importante ação foi a criação a categoria racismo na Ouvidoria da Secretaria de Estado da Educação do Paraná em junho de 2010 “Anteriormente todas as situações de racismo ocorridas nas escolas entravam como bulling nas denúncias realizadas”, conta. Outro ponto que o coordenador enfatizou foi em relação à implementação do Pacto Paranaense pela Igualdade Racial, proposta assinada com 15 Secretarias de Estado em 24 de novembro de 2009.
O primeiro dia de atividades contou com a palestra “Ações Afirmativas, Políticas Públicas de Reparação” com o assessor de imprensa da APP Sindicato Luiz Carlos Paixão Durante as discussões o professor Paixão resgatou para os educadores alguns pontos importantes na luta da construção das políticas públicas para população negra. Entre elas, a Marcha Zumbi dos Palmares, ocorrida em Brasília em 1995. “Na Marcha foi levada, ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, a necessidade de se rever o processo educacional onde o negro era ainda era apresentado de forma invisível enquanto contribuidor da formação brasileira”.
Ele enfatizou que nesse momento se estabelecia que a escola se configurava como espaço privilegiado do ensino do racismo, por meio dos materiais didáticos que reforçavam idéias preconceituosas, supervalorizava a população branca em detrimento do povo negro. E impunha que negros e brancos tinham destinos diferentes. O professor ressaltou que todas essas lutas foram responsáveis pelas ações que estão ocorrendo nos últimos anos, como a criação da lei 10.639/2003.
Maria de Lourdes já desenvolveu dois anos seguidos de projetos da área racial. O primeiro “Tarde cultural afro-brasileira” e também desenvolveu em conjunto com professores de história, arte, geografia, português a Semana da Consciência Negra com exposições de materiais da arte negra confeccionado pelos próprios alunos. “Como hoje todos os funcionários das escolas são considerados educadores, me sinto gratificada por desenvolver projetos como esses, pois valoriza o meu trabalho dentro da escola.
Esta é a quinta edição que participo e é muito importante porque recolho muito material que vai ajudar nos projetos que faço na escola, esclarece muitas dúvidas. Um que me chamou atenção foi a discussão com relação as cotas raciais, eu tinha uma idéia complemente errata sobre isso. Achava que englobava todos os afrodescedentes, sem importar a cor da pele. E pela palestra da socióloga Marcilene ficou claro que não é bem isso”, contou.
A doutora em Sociologia presidente do IPAD, Marcilena Garcia de Souza discutiu a questão do racismo focando na temática das cotas, principalmente voltada ao serviço público, tema da sua tese de doutorado. “Não é possível, e é um grande equivoco, pensar nas desigualdades sociais que atingem os negros somente pela perspectiva de classe e não de cor”. Durante sua fala, a socióloga destacou as desigualdades ainda existentes entre a população branca e negra no Brasil. Deu ênfase aos dados do DIEESE que apontou que o branco tem três vezes maior chance de conseguir uma vaga de emprego concorrendo com um negro. E que o negro ainda chega a ganhar 50% menos que o branco. “A partir desse olhar se configura impossível pensar em discutir universalidade da população pobre do Brasil”.
Para a auxiliar administrativo Maria de Lurdes Vidal do Colégio Estadual Santos Dumont, em Apucarana, o evento contribuiu nas pesquisas realizadas por ele para trabalhar as questões raciais na escola. Maria busca auxiliar no desenvolvimento da lei 10.639 apoiando os professores desenvolvendo pesquisas com materiais focados na questão racial, filme, documentário, reportagens.
Oficinas - Na oficina Equipe Multiciplinares foi trabalhado três focos: a legislação, parte histórica da constituição das equipes multidiciplinares apresentada pela técnica Cristiane Brito do Nerea/PR. A parte prática com exemplo apresentado pela professora Jane Marcia e a atuação política do impacto das equipes para o trabalho da educação etnicorracial nas escolas, apresentada por Neuton Damásio Pereira, professor do Colégio Estadual Lacerda Braga, em Colombo.
O colégio é pioneiro na constituição das equipes multidisciplinares. Pereira destaca que além dos professores que fizeram a composição formal da equipe, participam diversos outros professores e funcionários no trabalho da educação etnicorracial e na discussão da diversidade no espaço escolar. “Durante o tempo em que há o trabalho na escola, observou-se uma valorização dos alunos negros e, além disso, houve por parte de professores negros o seu reconhecimento enquanto negro, um novo olhar sobre sua cultura num processo também voltado à sua valorização”, Pereira.
A oficina realizada com os educadores procurou trabalhar também a conscientização da importância de se discutir as questões raciais no espaço escolar. O professor completou que as ações de discussão das equipes são amplas e seu foco não se limita apenas ao espaço de sala de aula, mas sim, nas relações existentes entre alunos, professores, escolas e comunidade.
Também aconteceram oficinas temáticas como capoeira, maculelê, jongo, dança afro, hip hop, quilombolas resistência de movimento negro, etnomatemática, representação do negro no corpo negro e arte negra no Estado do Paraná.
Programação - Nesta quarta-feira (24) os professores voltam a ter as oficinas em regime de alternância, além da mesa de discussão Gênero e Diversidade Sexual, mesa entre Instituições de Ensino Superior e Gestores, avanços e propostas. Na quinta-feira (25) haverá a mesa Sujeitos e Políticas Públicas no Paraná e na sexta-feira (26) o tema é Intolerância Religiosa. O evento fecha com aprovação da Carta Negra.


