Manifestação defende obrigatoriedade da Língua Brasileira de Sinais 01/06/2009 - 11:00

Surdos de Curitiba e Região Metropolitana fizeram uma manifestação nesta segunda-feira (1º), em Curitiba, para reivindicar melhorias quanto ao ingresso da pessoa surda no ambiente escolar, na família e no trabalho. A mobilização teve como objetivo defender a obrigatoriedade da Língua Brasileira de Sinais - Libras nas escolas, nos serviços públicos e nas empresas privadas. “A Secretaria da Educação apóia a reivindicação da comunidade surda”, afirmou a chefe do Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional, Angelina Matiskei.
Ela participou da manifestação e ressaltou que a política educacional de inclusão do Paraná está se fortalecendo cada vez mais e que há desafios a serem superados. “A Secretaria da Educação entende a importância da educação bilíngue, mantendo as escolas para surdos, possibilitando a inclusão deles nas escolas regulares e investindo na formação de tradutores e intérpretes de Libras”, destacou.
De acordo com ela, o Paraná tem avançado na educação de surdos. “Desde 1995, estamos trabalhando para o desenvolvimento da proposta de Educação Bilíngue para surdos, somando esforços junto à comunidade surda, resultando na oficialização da Lei de Libras no Paraná em 1998”. “A inclusão educacional é o processo que vem acontecendo com êxito no Estado do Paraná, mas é de conhecimento que a implementação de políticas e mudança de cultura de uma sociedade é um fator que se estabelece a médio ou longo prazo”, informou Matiskei.
Segundo ela, é fundamental a participação da sociedade na compreensão da língua de sinais, porque o surdo a tem como língua nativa e a Língua Portuguesa como segunda língua. “É necessário que as famílias façam parte desse processo investindo esforços para o aprendizado da língua de sinais para que, ao ingressar na sua fase escolar, a criança surda tenha adquirido a língua no seu ambiente familiar, assim como se dá com as crianças ouvintes”, disse.
Desafio - No Paraná a Lei Estadual nº 12.095 de 1998, que oficializa a língua de sinais, antecedeu a Lei Federal nº 10.436 de 2002 e o Decreto Federal nº 5626 de 2005. O reconhecimento oficial da Libras fez surgir novas demandas para a educação de surdos. Entre as novas situações proporcionadas pela proposta de Educação Bilíngue para surdos está a situação do tradutor e intérpretes de Libras/Língua Portuguesa, profissão que não existia há quinze anos atrás no Paraná e no Brasil. “Neste ano, contamos com 354 intérpretes atuando na rede estadual de ensino. O número só não é maior porque a formação requer tempo e a oferta de profissionais é pequena”, explicou a chefe do Deein.
Para Iraci Elzinha Bampi Suzin, diretora administrativa da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos do Paraná – FENEIS, é necessário um avanço ainda maior na educação dos surdos. “Ainda temos muitos desafios pela frente, mas em relação aos outros estados o Paraná tem sido sempre referência devido ao que já foi implementado pela Secretaria da Educação”, ressaltou.
Segundo ela, a língua de sinais deve ser respeitada, e as instituições de ensino superior devem dar oportunidade de trabalho para que o professor surdo possa lecionar a disciplina de Libras. A professora Maria Carolina de Freitas, intérprete de Libras, entende que uma das dificuldades apresentadas pela criança surda, ao ingressar na rede estadual, é a falta da aquisição da língua de sinais ao ingressar nas primeiras séries do ensino fundamental. “Se a criança viesse das séries iniciais com um bom conhecimento da Libras, o desenvolvimento dela seria mais rápido”, disse.