Ministro se emociona com história de aluna paranaense 05/12/2008 - 18:26
“Vou contar duas histórias que me tocaram”, declarou o ministro da Educação Fernando Haddad na cerimônia de premiação da Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa. Uma delas era de um garoto cearense. A outra, era a história de Mariane Cheli de Oliveira, estudante paranaense ganhadora da categoria artigo de opinião. O pai de Mariane é cortador de cana há 15 anos e foi na situação dele e dos seus colegas que a aluna se inspirou para escrever seu artigo. Sheron Ribeiro foi outra aluna paranaense premiada.
Mariane estuda à noite no 3º ano do ensino médio do Colégio Estadual Dr. Duílio Beltrão, da cidade de Tamboara. Trabalha o dia todo numa indústria têxtil. Ás vezes pensava em algo e escrevia em um papel improvisado no trabalho. “Sempre tem um papel para marcar as peças e eu acabava escrevendo ali as minhas idéias, depois chegava em casa e passava a limpo”. Depois da aula e nos finais de semana, ela contava com o apoio da professora Vanicléia de Oliveira Souza Rebelo, sempre disposta a ajudar os alunos mais interessados, com quem reviu e reestruturou o texto várias vezes. “Eu fui a caneta e ela foi o papel, um anjo que iluminou minha vida e me fez chegar onde eu jamais pensei em chegar”, declarou Mariane.
A prova do reconhecimento pelo seu trabalho, Vanicléia recebeu ainda em Brasília. Passou mal e ficou internada, impedida de viajar. Mariane e a mãe, que deveriam voltar no avião previsto, disseram que só deixariam a cidade junto com a professora, mesmo que precisassem dormir no aeroporto durante alguns dias. A organização das Olimpíadas se sensibilizou e levou as duas para um hotel. Quando as três se reencontraram, a mãe de Mariane rezou e agradeceu. “Essa história é muito linda e emocionante. Senti meu trabalho valorizado”, disse a professora.
Mariane ficou emocionada quando descobriu que a história de Vanicléia era parecida com a sua. O pai da professora também era cortador de cana e ela foi bóia-fria. Para fazer o vestibular, precisou pedir dinheiro emprestado. “Lutei com muita garra e dedicação, sabia que tinha que passar e passei”. Hoje ela incentiva seus alunos a vencer as dificuldades através do estudo, “eu sou uma professora muito empenhada porque quero que meus alunos cresçam na vida”. A professora ficou ainda mais feliz quando vários de seus alunos conseguiram boa nota no redação do ProUni.
O sonho de Mariane agora é conseguir uma bolsa de estudos para poder fazer o ensino superior. A aluna ainda não decidiu se quer fazer direito ou fisioterapia, mas deixa bem claro que seu objetivo é ajudar as pessoas.
Sheron, uma jovem escritora que valoriza a experiência
Sheron Ribeiro, que estuda na 7ª série do Colégio Estadual Sagrada Família, em Campo Largo, foi uma das vencedoras da categoria memória. Ela contou que nem imaginava que ia passar para a segunda fase. Essa etapa aconteceu em São Paulo, onde ela e a professora, Sueli Terezinha Ferreira, aprimoraram o texto, acrescentando e arrumando algumas partes. As duas também participaram de oficinas que possibilitaram a troca de experiências com os outros semifinalistas. “Aprendemos muito com os outros, a trabalhar em grupo e não deixar nada atrapalhar nossos sonhos, a nos esforçar para conquistar cada vez mais”, disse Sheron.
Sheron, com apenas 13 anos, já sabe que quer ser escritora. “Escrever é algo que me estimula, que eu me sinto bem fazendo. Ser escritora, por enquanto, é um sonho a desenvolver, mas espero que dê certo” planeja a aluna.
Sueli considerou que a conquista serviu como uma injeção de ânimo para começar 2009 com muita força e muita garra. “Já estou há quase 35 anos em sala de aula e não me sinto velha. Agora me sinto encorajada a continuar mais um pouco, os alunos ainda precisam de mim”. Para ela, o tema “O lugar onde vivo”, o mesmo para todas as categorias, possibilitou um resgate de valores e a valorização do idoso. “Porque eles têm histórias para contar e experiências para dividir com a gente” explicou.
Sueli acredita que a troca com os professores e alunos de outros estados foi enriquecedora, “as dificuldades não estão só aqui, mas cada um busca uma maneira de superá-las”, explicou. “Essa vitória vem acompanhada de uma grande responsabilidade. Adquirimos uma bagagem de conhecimento que não pode ficar só para nós, temos que dividir entre os colegas para que ela possa se multiplicar”.


