NRE Maringá promove seminário sobre ECA 06/07/2011 - 08:50

O Núcleo Regional de Educação (NRE) de Maringá, através da Coordenação de Desenvolvimento Socioeducacional (CDSE) em parceria com o Observatório da Violência da Universidade Estadual de Maringá (UEM), promoveu na semana passada o 2º Seminário Integrado de Enfrentamento à Violência. O tema: “O Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) e o Enfrentamento à Violência na Escola: Desmistificando a Cultura do 'Não dá Nada'” foi discutido com 280 diretores, diretores auxiliares e pedagogos das escolas de Maringá e região.
O evento, criado no início do ano, é resultado de um trabalho entre as escolas, o NRE/CDSE e as redes de apoio, visando abrir espaço para que os profissionais da educação reflitam e discutam sobre a lei e aplicação do ECA no espaço escolar. “O nosso objetivo foi o de aprofundar conhecimentos e práticas em relação ao Estatuto da Criança e do Adolescente para podermos no coletivo buscar estratégias e respostas para o enfrentamento à violência”, contou Carlos Petronzelli, coordenador de Desenvolvimento Socioeducacional.
Segundo a chefe do NRE, Maria Inês Teixeira Barbosa, o seminário dá visibilidade a um tema que necessita de resolução. “É um assunto complexo, no qual precisamos do envolvimento de toda a comunidade e trabalho em rede com o Ministério Público, Conselho Tutelar, Patrulha Escolar, Centros de Apoio de Assistência Social e outros”, disse.
O seminário promoveu palestras, oficinas e debates entre eles, buscando sempre através de discussões, saídas para o enfrentamento à violência nas escolas. Para o promotor Maurício Kalache, ministrante do seminário, esse é o momento de todos refletirem e compreenderem o ECA. “Temos que pensar até onde cada um de nós, muitas vezes 'na maior das boas intenções', não promove a violência por intolerância”, falou.
A palestra “Violência: Emoção & Conhecimento & Educação”, proferida pela profª Lizia Helena Nagel, apresentou a concepção de violência e os fatores que contribuem para sua proliferação na sociedade. Lízia, destacou as variáveis internas e externas da violência que interferem no processo educativo, entre elas o bullying físico, verbal e relacional.
Na oportunidade, foram apontadas práticas educativas positivas dirigidas a comunidade escolar, ampliando as possibilidades de enfrentamento à violência nas unidades escolares. “Os professores devem lutar na sociedade pela possibilidade de ensinar, educar e transformar, pois o processo educativo e humanizador extrapola o espaço e tempo de escolarização e visa a universalização das lutas”, afirmou.
ECA E SALA DE AULA – Cada escola de Maringá pode levar um aluno para participar da oficina “ECA e a Sala de Aula”, realizada em paralelo ao seminário. Foram abordadas questões que fazem parte do cotidiano escolar para alunos do ensino médio e fundamental, entre 13 e 17 anos. Através de textos, vídeos, charges e numa linguagem apropriada foi elaborada palestra de introdução didática para os estudantes conheceram melhor o estatuto.
Depois partiram para a dinâmica, com a produção de textos sobre os episódios assistidos. “Foi muito positivo. Após assistirem os vídeos, os alunos se soltaram e contaram casos que ocorreram dentro de sua escola. Tratamos do assunto (violência) de forma leve, colocando-os em pé de igualdade, fazendo-os entender que brincadeira que machuca, não é brincadeira”, contou Éder Fernando professor do Colégio Estadual Tomaz Edison de Avelino Vieira .
Os 35 alunos que participaram da oficina ganharam um ECA de bolso. Eles serão disseminadores destas informações, orientando e criando diálogos entre os colegas sobre os limites, direitos e deveres. “Achei produtivo, porque vai evitar brigas e brincadeiras mal intencionadas no perímetro escolar. O ECA nos ajudará ver como somos apoiados”, ressaltou Nicolas Taciano Kunkel, 13 anos, aluno da 8ª série do Colégio Avelino Vieira.