Novas diretorias dos grêmios estudantis tomam posse em Ponta Grossa 14/05/2010 - 16:38

As diretorias eleitas dos grêmios estudantis das escolas de Ponta Grossa tomaram posse na sexta-feira (7) em evento do qual participaram estudantes, diretores, professores e funcionários de 27 escolas, além de técnicos do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Ponta Grossa.
A gestão democrática é um dos princípios das políticas públicas da Secretaria da educação (Seed). O fortalecimento dos grêmios estudantis é uma das ações promovidas para garantir a participação dos estudantes nas decisões da escola. Em Ponta Grossa, o Centro de Apoio ao Adolescente do NRE promoveu eleições simultâneas em quase todas as escolas dos municípios atendidos pelo Núcleo na semana passada.
Segundo o presidente eleito do grêmio estudantil do Colégio Estadual Frei Doroteu de Pádua, em Ponta Grossa, Eliton da Cruz, 2º ano do ensino médio o grêmio é um espaço que incentiva a participação dos estudantes. “Não havia grêmio estudantil no colégio desde 2003 e é importante a organização dos estudantes como forma de conseguirem maior participação na escola”, comentou.
Thalia Amaral, 7ª série, foi empossada presidente do grêmio estudantil da Escola Estadual Professor Amálio Pinheiro, em Ponta Grossa, está cheia de ideias para serem colocadas em prática na escola. “Gostaria de promover algumas mudanças na escola, como implantar uma rádio escola, montar jornal, propor atividades no intervalo”, exemplificou.

Gestão democrática – A questão da gestão só pode ser concebida como democrática a partir do momento em que a escola tenha a participação da comunidade de forma organizada. “Esta organização se concretiza quando existe a representação dos segmentos de gestão no conselho escolar”, explica Elisane Fank coordenadora de Gestão Escolar (Cge), vinculada à Diretoria de Políticas e Programas Educacionais (Dppe) da Seed.
O grêmio estudantil é um dos segmentos de gestão que deve ter representatividade no Conselho Escolar. “A existência e a organização do grêmio dentro da escola é uma condição de gestão democrática e não depende de uma concessão por parte da direção escolar”, lembrou a coordenadora.
Ela ainda comentou que se deve propiciar uma cultura de participação do grêmio nos processos decisórios dentro da escola porque isto é um exercício de cidadania. “Os direitos, os deveres, as normas e até os critérios de avaliação da escola são discussões importantes que devem ser realizadas também com os estudantes”.
O grêmio estudantil acabou historicamente recebendo atribuições lúdicas ou culturais, perdendo a formação política. Outro problema é o uso político do grêmio. “O grêmio não deve ser cooptado pela direção da escola, nem se pode conceber um grêmio tutelado por partidos políticos, o grêmio estudantil tem que ter uma atuação política, de intervenção política na prática e não ser político-partidário”, concluiu.
Para auxiliar o processo de organização do grêmio na escola, pode existir a figura do mediador do conhecimento. “Esta pessoa deve ser uma referência que auxilie o grêmio a entender as relações pedagógicas existentes na escola, participando de forma consciente. Para participar das discussões, o aluno deve, por exemplo, saber para que serve o regimento escolar”, disse a coordenadora.