Paraná Alfabetizado realizou simpósio de avaliação 09/12/2010 - 18:00
O 2º Simpósio Estadual de Alfabetização de Jovens, Adultos e Idosos que se encerrou nesta quinta-feira (9), no Centro de Formação Continuada de Faxinal do Céu, município de Pinhão, tem como objetivo articular e fortalecer políticas públicas para alfabetização e para a educação de jovens, adultos e idosos no Paraná. Estiveram presentes cerca de 600 pessoas, entre coordenadores regionais, locais, alfabetizadores, alfabetizandos e pessoas alfabetizadas que passaram pelo programa Paraná Alfabetizado. O evento é uma realização da Secretaria de Estado da Educação (SEED), por meio do Departamento da Diversidade (DEDI).
“O simpósio tem uma tarefa histórica e ousada de realizar uma avaliação do programa Paraná Alfabetizado. Queremos ouvir todos os envolvidos para elaborar coletivamente perspectivas e propostas para a alfabetização e educação de jovens, adultos e idosos para a próxima gestão estadual de governo”, explicou Wagner Roberto do Amaral, chefe do DEDI. Ele ainda disse que esta estrutura deve ser mantida e ampliada até que seja superado o analfabetismo no Paraná.
“Nestes seis anos de atuação, o programa trouxe resultados positivos que devem contribuir para a efetivação e o fortalecimento de políticas públicas dessa modalidade de ensino para o Paraná e para o Brasil”, comentou Izabel Cordeiro Ribas, coordenadora do programa Paraná Alfabetizado.
Entre os avanços obtidos está o atendimento a 411 mil pessoas em 24 mil turmas de alfabetização, a declaração de 44 municípios paranaenses como territórios livres do analfabetismo, a constituição de equipes técnicas na SEED, Núcleos Regionais e municípios com formação continuada permanente e o estabelecimento de uma rede institucional para reduzir os índices de analfabetismo.
O Paraná Alfabetizado, coordenado pela SEED, foi reconhecido nacionalmente ao receber a Medalha Paulo Freire em 2005 e 2009 do Ministério da Educação (MEC) e internacionalmente, ao ganhar o Prêmio Iberoamericano de Alfabetização em 2009.
Para Izabel, o respeito à condição do alfabetizando como um sujeito que possui direitos também contribuiu para o sucesso do programa. “O princípio da acolhida amorosa de todos os envolvidos no processo de alfabetização fez com que se construísse laços de afetividade que resultaram num comprometimento social nas ações de alfabetização”.
Análises – Algumas pessoas foram convidadas a relatar as experiências de alfabetização realizadas em outros Estados. Uma delas é Maria Nazaré Correa da Silva, coordenadora do Programa Letramento Rescrevendo o Futuro da Universidade Estadual do Amazonas, em parceria com o Programa Brasil Alfabetizado a aprendizagem dos alunos da alfabetização deve ser realizada ao longo de sua vida. “É preciso uma articulação entre vários setores para garantir um conjunto de direitos, como geração de renda, emprego, segurança, habitação, cultura, que estes sujeitos têm e que vivem à margem da sociedade”.
Para ela, o que mais chama a atenção do Paraná Alfabetizado é o compromisso da continuidade dos estudos devido à integração entre a alfabetização e a oferta de Educação de Jovens e Adultos. A realização de eventos de avaliação para o programa também foi lembrado por ela. “São criados momentos que servem de termômetro para futuras ações que contam com a participação de todos os envolvidos no programa”.
Társia Regina da Silva é gerente de Educação de Jovens e Adultos de Recife, em Pernambuco. Para ela os programas de alfabetização devem ser política de Estado para que não ocorram mudanças de gestão que comprometam os objetivos deles. Outro ponto defendido por ela é a parceria que deve existir entre os poderes públicos. “Ações pontuais não surtem efeitos de sucesso, é preciso que governo federal, Estados, municípios e universidades dialoguem para obter os resultados necessários”.
Sobre o Paraná Alfabetizado, a gerente destacou a clareza existente nas diretrizes do programa e o compromisso de todos os envolvidos. Társia ainda elogia outros aspectos do programa. “Estar preocupado com a autoavaliação para entender limites e horizontes é de extrema importância, além de traçar caminhos para o próximo governo é muito corajoso”.
Depoimentos - A alfabetização é um direito que tem mudado a vida de muitos paranaenses. É o caso do alfabetizador Darcisio Urnau, de Pato Branco. Ao criar uma associação para a terceira idade em 2006, ele percebeu que muitos idosos eram analfabetos e passou a ensiná-los. No ano seguinte, conheceu o Paraná Alfabetizado por meio do Núcleo Regional e a primeira turma contava com 18 alunos. Todos se formaram, graças a sua metodologia de ensino. “As aulas são baseadas em uma relação de amizade, de amor, e de carinho, é preciso se por no lugar do alfabetizando para entender as suas necessidades”, revelou.
As aulas acontecem em um pavilhão da associação que conta com uma biblioteca de 12 mil livros. Material que é utilizado para incentivar alunos como Eduardo Michlowski de 70 anos. Ele não estudou quando mais jovem porque sempre trabalhou na lavoura. “Não sabia nem usar o lápis, hoje pego os meus cadernos de matemática e de linha e vou ter lição com o professor”, contou o alfabetizando. Ele ainda disse que sua irmã, Domicília, aprendeu a ler e escrever em seus meses e que atualmente ela lê nas cerimônias da igreja que frequenta..
A neta de Ernestina de Oliveira voltou da catequese e convenceu a avó a participar do programa de alfabetização. “Tinha começado a estudar há 20 anos, mas saí da escola por problemas familiares. Quando fiquei sozinha a necessidade me fez voltar para as aulas, e hoje até a minha neta me ajuda a ler e escrever”, disse a alfabetizando que está há seis meses tendo aula em Pato Branco.
Tereza Kaiser Hilbaireth não pode estudar quando era criança e mesmo depois de casada. “Meus pais diziam que estudos não eram para mulher, e o mesmo marido pensava do mesmo jeito”. Após ficar viúva, resolver estudar. O convite para participar do Paraná Alfabetizado foi feito por sua vizinha. Elas e mais cinco outros alunos têm aula na casa de Tereza, que mora em Mato Rico, nas segundas, quartas e sextas-feiras à noite há três meses. “Parece uma família. Aquele que sabe um pouquinho mais sempre ajuda o outro nos estudos”, contou.
A alfabetizanda Tanila Madalena da Silva participa do Paraná alfabetizado há seis meses em Nova Tebas em uma sala dentro de uma igreja. Ela começou os estudos, mas abandonou por não gostar da forma como as aulas eram realizadas. No programa, sua visão é outra. “O professor é ótimo, ele tem muita paciência, é dedicado e eu aprendo muito com ele”, disse.
A parceria com os municípios também é de extrema importância para o sucesso do programa. “Tivemos todo o apoio com material e alimentação para as aulas”, comentou Marlene Ferreira Benedito que entrou no programa em 2006. Atualmente ela está finalizando no município de Atalaia a EJA Fase I, responsável por ofertar de 1 a 4 séries. Empolgada, ela promete ir mais além, já está ansiosa para começar a 5 série do ensino fundamental.
“O simpósio tem uma tarefa histórica e ousada de realizar uma avaliação do programa Paraná Alfabetizado. Queremos ouvir todos os envolvidos para elaborar coletivamente perspectivas e propostas para a alfabetização e educação de jovens, adultos e idosos para a próxima gestão estadual de governo”, explicou Wagner Roberto do Amaral, chefe do DEDI. Ele ainda disse que esta estrutura deve ser mantida e ampliada até que seja superado o analfabetismo no Paraná.
“Nestes seis anos de atuação, o programa trouxe resultados positivos que devem contribuir para a efetivação e o fortalecimento de políticas públicas dessa modalidade de ensino para o Paraná e para o Brasil”, comentou Izabel Cordeiro Ribas, coordenadora do programa Paraná Alfabetizado.
Entre os avanços obtidos está o atendimento a 411 mil pessoas em 24 mil turmas de alfabetização, a declaração de 44 municípios paranaenses como territórios livres do analfabetismo, a constituição de equipes técnicas na SEED, Núcleos Regionais e municípios com formação continuada permanente e o estabelecimento de uma rede institucional para reduzir os índices de analfabetismo.
O Paraná Alfabetizado, coordenado pela SEED, foi reconhecido nacionalmente ao receber a Medalha Paulo Freire em 2005 e 2009 do Ministério da Educação (MEC) e internacionalmente, ao ganhar o Prêmio Iberoamericano de Alfabetização em 2009.
Para Izabel, o respeito à condição do alfabetizando como um sujeito que possui direitos também contribuiu para o sucesso do programa. “O princípio da acolhida amorosa de todos os envolvidos no processo de alfabetização fez com que se construísse laços de afetividade que resultaram num comprometimento social nas ações de alfabetização”.
Análises – Algumas pessoas foram convidadas a relatar as experiências de alfabetização realizadas em outros Estados. Uma delas é Maria Nazaré Correa da Silva, coordenadora do Programa Letramento Rescrevendo o Futuro da Universidade Estadual do Amazonas, em parceria com o Programa Brasil Alfabetizado a aprendizagem dos alunos da alfabetização deve ser realizada ao longo de sua vida. “É preciso uma articulação entre vários setores para garantir um conjunto de direitos, como geração de renda, emprego, segurança, habitação, cultura, que estes sujeitos têm e que vivem à margem da sociedade”.
Para ela, o que mais chama a atenção do Paraná Alfabetizado é o compromisso da continuidade dos estudos devido à integração entre a alfabetização e a oferta de Educação de Jovens e Adultos. A realização de eventos de avaliação para o programa também foi lembrado por ela. “São criados momentos que servem de termômetro para futuras ações que contam com a participação de todos os envolvidos no programa”.
Társia Regina da Silva é gerente de Educação de Jovens e Adultos de Recife, em Pernambuco. Para ela os programas de alfabetização devem ser política de Estado para que não ocorram mudanças de gestão que comprometam os objetivos deles. Outro ponto defendido por ela é a parceria que deve existir entre os poderes públicos. “Ações pontuais não surtem efeitos de sucesso, é preciso que governo federal, Estados, municípios e universidades dialoguem para obter os resultados necessários”.
Sobre o Paraná Alfabetizado, a gerente destacou a clareza existente nas diretrizes do programa e o compromisso de todos os envolvidos. Társia ainda elogia outros aspectos do programa. “Estar preocupado com a autoavaliação para entender limites e horizontes é de extrema importância, além de traçar caminhos para o próximo governo é muito corajoso”.
Depoimentos - A alfabetização é um direito que tem mudado a vida de muitos paranaenses. É o caso do alfabetizador Darcisio Urnau, de Pato Branco. Ao criar uma associação para a terceira idade em 2006, ele percebeu que muitos idosos eram analfabetos e passou a ensiná-los. No ano seguinte, conheceu o Paraná Alfabetizado por meio do Núcleo Regional e a primeira turma contava com 18 alunos. Todos se formaram, graças a sua metodologia de ensino. “As aulas são baseadas em uma relação de amizade, de amor, e de carinho, é preciso se por no lugar do alfabetizando para entender as suas necessidades”, revelou.
As aulas acontecem em um pavilhão da associação que conta com uma biblioteca de 12 mil livros. Material que é utilizado para incentivar alunos como Eduardo Michlowski de 70 anos. Ele não estudou quando mais jovem porque sempre trabalhou na lavoura. “Não sabia nem usar o lápis, hoje pego os meus cadernos de matemática e de linha e vou ter lição com o professor”, contou o alfabetizando. Ele ainda disse que sua irmã, Domicília, aprendeu a ler e escrever em seus meses e que atualmente ela lê nas cerimônias da igreja que frequenta..
A neta de Ernestina de Oliveira voltou da catequese e convenceu a avó a participar do programa de alfabetização. “Tinha começado a estudar há 20 anos, mas saí da escola por problemas familiares. Quando fiquei sozinha a necessidade me fez voltar para as aulas, e hoje até a minha neta me ajuda a ler e escrever”, disse a alfabetizando que está há seis meses tendo aula em Pato Branco.
Tereza Kaiser Hilbaireth não pode estudar quando era criança e mesmo depois de casada. “Meus pais diziam que estudos não eram para mulher, e o mesmo marido pensava do mesmo jeito”. Após ficar viúva, resolver estudar. O convite para participar do Paraná Alfabetizado foi feito por sua vizinha. Elas e mais cinco outros alunos têm aula na casa de Tereza, que mora em Mato Rico, nas segundas, quartas e sextas-feiras à noite há três meses. “Parece uma família. Aquele que sabe um pouquinho mais sempre ajuda o outro nos estudos”, contou.
A alfabetizanda Tanila Madalena da Silva participa do Paraná alfabetizado há seis meses em Nova Tebas em uma sala dentro de uma igreja. Ela começou os estudos, mas abandonou por não gostar da forma como as aulas eram realizadas. No programa, sua visão é outra. “O professor é ótimo, ele tem muita paciência, é dedicado e eu aprendo muito com ele”, disse.
A parceria com os municípios também é de extrema importância para o sucesso do programa. “Tivemos todo o apoio com material e alimentação para as aulas”, comentou Marlene Ferreira Benedito que entrou no programa em 2006. Atualmente ela está finalizando no município de Atalaia a EJA Fase I, responsável por ofertar de 1 a 4 séries. Empolgada, ela promete ir mais além, já está ansiosa para começar a 5 série do ensino fundamental.


