Professor guarani ingressa na UFSC 22/03/2011 - 14:43

Hélio Karaí Fernandes é um dos 120 alunos Guarani, Kaingáng e Xokleng aprovados no Vestibular do Curso Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, iniciado dia 14 de março de 2011, na Universidade Federal de Santa Catarina. Com 26 anos, membro e líder comunitário da aldeia Araça-í, ele é educador da Escola Estadual Indígena Mbya Arandu, atendida pelo Núcleo Regional de Educação da Área Metropolitana Norte.
“É a realização de um sonho cursar uma faculdade específica para professores indígenas”, disse. Com a formação de professor Hélio pretende ajudar seu povo na luta por melhores condições de vida e na defesa da sua cultura.
“Parabenizamos o Hélio Karaí Fernandes pela dedicação, ressaltando seu esforço para o bem de sua comunidade”, comentou o Segundo o chefe do Núcleo Regional, Sergio Ferraz, incentivando a capacitação dos profissionais que atuam na escola indígena.
A universidade ofertou 40 vagas para cada etnia dos territórios do sul e sudeste do país, localizados em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Espírito Santo. O curso seguirá o método da pedagogia da alternância, com períodos de aprendizado em sala e de aplicação prática nas escolas das aldeias. O deslocamento dos índios será financiado pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI).
De acordo com os dados da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), em 2009, a população indígena residente no Paraná era de 12.708 indígenas, sendo 3.020 da etnia Guarani.
Histórico - A aldeia Guarani Araça-í com 40 quilômetros de extensão foi criada em 1999, com a doação de terras na Estrada dos Mananciais da Serra pelo secretário de Meio Ambiente Jorge Grando em Piraquara. Localizada a 18 quilômetros do centro deste município, a comunidade formada de índios guaranis, oriundos de Mangueirinha, sudoeste do Paraná, hoje, conta com quase 20 famílias, num total de 80 pessoas. Como a aldeia se localiza em uma Área de Proteção Ambiental (APA), os índios não podem plantar; vivem com uma renda familiar proveniente da comercialização de artesanato e com o auxílio de várias instituições: governamentais, privadas e sociedade civil organizada.
A Escola Estadual Indígena Mbya Arandu, localizada na aldeia, atende as crianças e jovens com uma proposta pedagógica pautada nas orientações do Ministério da Educação (MEC) ao defender a necessidade de construir experiências autônomas e caracterizadas pelo respeito à tradição e costumes das etnias. Estas experiências devem ser comunitárias, interculturais e específicas.
O atendimento está de acordo com a Resolução nº 2075/2008 que dispõe sobre a organização e o funcionamento das Escolas Indígenas no Sistema de Ensino do Estado do Paraná, que preconiza a preservação da sua cultura, sua língua e seus valores. Também, poder adequar as propostas pedagógicas da rede estadual visando a uma educação para todos, conforme cita o artigo 1º da Constituição Federal de 1988.