Professores de escolas itinerantes recebem formação 06/09/2013 - 18:10
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná, em parceria com a Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Paraná (Acap), promoveu na semana passada, em Cascavel, o Encontro de Professores da Escola Itinerante. O evento contou com a participação de quase 350 pessoas entre profissionais da educação, estudantes, representantes de comunidades acampadas, professores universitários, autoridades e técnicos da Secretaria.
O encontro proporcionou aos educadores subsídios teóricos e metodológicos para o desenvolvimento de práticas adequadas para o ensino nas escolas itinerantes. “A proposta de formação, além de contribuir na formação dos professores, busca respeitar a realidade, o contexto histórico e os saberes das famílias que estão no campo, garantindo o direito à educação”, comentou a diretora do Departamento da Diversidade da Secretaria da Educação, Marli Peron.
O evento também teve como finalidade comemorar os 10 anos de funcionamento das escolas itinerantes. “O encontro tem um caráter simbólico do compromisso social que a escola itinerante tem, ou seja, assegurar educação, direito fundamental aos trabalhadores rurais sem-terra ”, destacou o coordenador pedagógico da escola itinerante do Setor de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Valter Leite.
ESCOLAS - A escola itinerante acompanha o deslocamento das famílias do MST e garante às crianças, jovens e adultos acampados o direito à educação. “A oferta de ensino a essas escolas é uma política pública assumida pela Secretaria da Educação que tem garantido aos filhos dos trabalhadores do campo no local onde vivem”, explicou a coordenadora de Educação Escolar do Campo da Secretaria da Educação, Marlene Comin. Atualmente são atendidos cerca de 14 mil alunos da educação infantil, ensinos fundamental e médio e Educação de Jovens e Adultos em nove escolas em todo o Paraná.
O Colégio Estadual Iraci Salete Strozak, em Rio Bonito do Iguaçu, é a escola-base das nove escolas itinerantes do Paraná: Zumbi dos Palmares, no acampamento 1º de agosto, em Cascavel; Sementes do Amanhã, no Chico Mendes, em Foz do Iguaçu; Paulo Freire, no Reduto de Caraguatá, em União da Vitória; Caminhos do Saber, no Maila Sabrina, em Telêmaco Borba; Maria Aparecida Rosignol Franciosi, no Eli Vive, em Londrina; Valmir Motta de Oliveira, no acampamento de mesmo nome, Jacarezinho; Carlos Marighella, no Elias Gonçalves de Meura, em Jacarezinho; Construtores do Futuro, no 1º de setembro, em Ivaiporã e, Herdeiros da Luta de Porecatu, no acampamento de mesmo nome, em Londrina.
PROPOSTA PEDAGÓGICA – As escolas itinerantes desenvolvem sua proposta político-pedagógica baseadas nos ciclos de formação humana e no complexo de estudos. Com os ciclos, são criados ambientes favoráveis para favorecer a aprendizagem dos estudantes. As aulas não são centradas apenas nos conteúdos.“A ideia é desenvolver o potencial de todos os alunos e oportunizar um avanço àqueles que têm dificuldades de aprendizagem”, disse o coordenador pedagógico Valter Leite.
É o caso dos ciclos de formação. Os 1º. 2º e 3º anos da escola clássica correspondem ao ciclo de alfabetização nas escolas itinerantes. O aluno passa para o próximo ciclo, mas é realizado um diagnóstico para identificar as suas dificuldades. “Caso seja necessário, o aluno participa de uma classe intermediária, em turno inverso, para sanar sua dificuldade específica. Ao superá-la, ele deixa a classe intermediária”, explicou o coordenador.
Já o complexo de estudo estabelece que os conteúdos aprendidos estejam entrelaçados com a vida dos estudantes. Há uma matriz orientadora organizada em cinco temas: organização coletiva, luta social, história, trabalho e cultura. Também há a proposta de se criar espaços para estimular a participação de todos os envolvidos com a escola.










