Resultados de pesquisa sobre homofobia nas escolas são apresentados na SEED 27/09/2010 - 20:40

Foram apresentados, nesta segunda-feira (27), na Secretaria de Estado da Educação (SEED), em Curitiba, os resultados da pesquisa sobre homofobia na Comunidade Escolar. O objetivo foi conhecer a percepção de diretoras, diretores, pedagogas, pedagogos, professoras, professores e estudantes do 6ª ao 9º ano do ensino fundamental da rede pública de ensino sobre a situação da homofobia no ambiente escolar. Os resultados são úteis para subsidiar o Programa Brasil Sem Homofobia, do Governo Federal.
“A devolutiva da pesquisa, realizada em Curitiba, sobre homofobia na escola é muito importante para subsidiar as políticas de gênero e diversidade sexual em todo o estado do Paraná”, comentou Wagner Roberto do Amaral, chefe do Departamento da Diversidade da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Dedi/SEED).
Segundo Wagner, o estudo revela as situações de preconceito à população lésbica, gay, bissexual, travesti e transexual nas escolas públicas, além de indicar recomendações para os governos municipais e estaduais. “Para nós, da SEED, os dados sistematizados pela pesquisa afirmam a necessidade de pautar esses conhecimentos em todas as nossas escolas estaduais, assim como consolidar as ações realizadas pelo Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual (Ngds)”, explicou.
“A Seed recebe a devolutiva da Pesquisa Escola sem Homofobia com muito interesse, considerando que é a primeira pesquisa com esse recorte específico em escolas públicas estaduais do Paraná. São dados importantíssimos, que fundamentarão a política pública educacional em gênero e diversidade sexual da SEED”, contou Dayana Brunetto, coordenadora do Ngds/SEED.
Dayana ainda ressaltou a necessidade da intensificação das ações da SEED. “Com esses dados, podemos perceber que, embora tenhamos avançado muito com a criação do Ngds, ligado ao Dedi/SEED, precisamos intensificar as ações de formação continuada, produção e aquisição de materiais e normatizações para o enfrentamento da lesbofobia, homofobia, bifobia e transfobia nas escolas e para a garantia da universalização da educação básica como um direito fundamental”, concluiu.
Para Margarita Diaz, presidente da ONG Reprolatina, instituição coordenadora da pesquisa, a realidade mostra que muitos estudantes, quando chegam à adolescência e começam a manifestar uma orientação sexual diferente da heterossexualidade, são discriminados pela comunidade escolar, o que leva à saída da escola. “É uma pesquisa para repensar como está sendo abordado o tema da diversidade sexual nas escolas, porque o preconceito traz consequências nefastas para estudantes, o que do ponto de vista dos direitos humanos é inadmissível”, disse.
Margarita entende que as questões envolvendo a diversidade sexual e a homofobia não estão sendo trabalhadas adequadamente com os jovens e adolescentes do país. “Da maneira como o tema é trabalhado, apenas se reforça e reproduz o modelo heteronormativo da sociedade, com os papéis tradicionais de modelo de gênero e de diversidade sexual”. Ela ainda afirmou que existem políticas públicas nessa área, mas que não estão implementadas adequadamente na prática das escolas. “Não se faz uma educação sexual discutindo a sexualidade, só se aponta para os problemas decorrentes do exercício da sexualidade, ou somente na parte biológica, mas ainda há falta de compreensão sobre a diversidade sexual”, explicou.
A pesquisa é um estudo qualitativo sobre homofobia na comunidade escolar realizado em 11 capitais brasileiras, em cinco regiões do País, entre 28 de setembro e 4 de dezembro do ano passado. Ela envolveu um total de 1412 participantes, entre autoridades estaduais e municipais, diretoras e diretores, pedagogas e pedagogos, professoras e professores, estudantes e integrantes das comunidades escolares.
Em cada uma das capitais, foram selecionadas, por meio do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), quatro escolas do 6º ao 9º ano (municipais e estaduais). Além de Curitiba, participaram da pesquisa Manaus, Porto Velho, Recife, Natal, Goiânia, Cuiabá, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
A pesquisa faz parte do Projeto Escola Sem Homofobia, financiado pelo Ministério da Educação (MEC), e executado em parceria com a Pathfinder do Brasil, Reprolatina e ECOS, a pedido da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).