SEED discute educação indígena em Faxinal 08/12/2010 - 18:07

O Comitê Estadual de Educação Escolar Indígena se reuniu nesta terça-feira (07), no Centro de Formação Continuada de Faxinal do Céu (município de Pinhão), para avaliar as ações realizadas nessa modalidade de ensino nos últimos quatro anos. O evento é uma realização da Secretaria de Estado da Educação (SEED), por meio da Coordenação de Educação Escolar Indígena, vinculada ao Departamento da Diversidade (DEDI).
“É um espaço de gestão democrática criado pela SEED para avaliar e definir políticas públicas voltadas para a educação escolar indígena, que já foi institucionalizado e que precisa ser consolidado”, explicou Wagner Roberto do Amaral, chefe do DEDI. Ele ainda comentou que o Comitê deve elaborar um plano de ações e metas para os próximos quatro anos. “O plano será apresentado para o próximo governo com a finalidade de garantir os avanços conseguidos na educação escolar indígena para que não ocorra retrocessos”?.
A coordenadora da Educação Escolar Indígena, Cristina Cremoneze, apontou os principais avanços conseguidos nessa modalidade de ensino. “A própria constituição do comitê, a formação de professores das etnias Kaingang e Guarani, elevação da escolaridade dos indígenas em todo o estado, ampliação do acesso e níveis de ensino com a estadualização das escolas indígenas, a construção de novas escolas que estão em processo de licitação e a produção de material específico”, destacou.
Mesmo com todas essas ações, a coordenadora comentou que ainda existem pontos que precisam ser atendidos. “O projeto político pedagógico das escolas indígenas está em processo de elaboração para atender a especificidade de cada realidade, é algo que precisa ainda ser implantado”, afirmou, ao lembrar a educação escolar indígena é uma modalidade da educação básica que precisa respeitar as identidades, as línguas, as culturas e os territórios das comunidades indígenas.
O professor guarani Jucélio Aparecido da Silva, que trabalha na Escola Estadual Cacique Judjá Nhanderu, na Terra Indígena Aldeia Laranjinha, em Santa Amélia, explicou que o evento é um momento para que o indígena possa opinar e ser ouvido sobre suas principais necessidades na área da educação. Ele ainda comentou que um professor não indígena, mesmo com todo o conhecimento que possui, pode ter dificuldades em dar aula em uma escola indígena por não conhecer a realidade da comunidade. “Além disso, a proposta de educação aos alunos indígenas deve ser diferenciada e com qualidade para que eles não sejam discriminados caso deixem a aldeia para ir às cidades”.
Silvani Félix é professora kaingang há quatro anos. Ela atua como regente de turma da 1 a 4 série na escola da Terra Indígena Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras. Para ela, houve um avanço nestes últimos anos na educação escolar indígena e os trabalhos do Comitê servem para garantir ainda mais os direitos indígenas nesta área. “Os benefícios conseguidos, como a formação bilíngue para os professores indígenas, é resultado da luta pelas melhorias nas comunidades”, afirmou.
O comitê, institucionalizado em 2010, é composto por 70% de representantes indígenas. Tem caráter consultivo, fiscalizador, propositivo e de assessoria técnica de questões sócio-políticas, ambientais, culturais e pedagógicas específicas para a educação escolar indígena e desenvolvidas com os povos indígenas do Paraná para todas as modalidade de ensino. Além da SEED, participam a Secretaria de Estado para Assuntos Estratégicos (SEAE), Fundação Nacional do Índio (Funai), Ministério Público, Comissão Universidade para os Índios e ONGs envolvidas com o tema.
A SEED oferece a mais de três mil alunos indígenas matriculados nas 36 escolas estaduais indígenas, uma educação intercultural, bilíngue e diferenciada da educação infantil ao ensino médio. São quase 150 professores indígenas das etnias Guarani e Kaingang.