SEED realiza curso de formação de Agenda 21 Escolar em Almirante Tamandaré 19/08/2010 - 19:00

A Secretaria de Estado da Educação (SEED) realizou nessa quarta-feira (18) a segunda etapa de formação em Agenda 21 Escolar para cerca de 100 participantes, entre professores, equipes pedagógicas, representantes de APMF e Conselho Escolar de 33 escolas municipais e 17 centros municipais de educação infantil de Almirante Tamandaré. Eles tiveram a oportunidade de realizar um estudo de campo nas nascentes e nos rios e para verificar a realidade socioambiental do município.
“Este é o diferencial que a Agenda 21 Escolar traz, porque a comunidade escolar tem a percepção do seu entorno, as pessoas passam sempre pelos mesmos lugares e não percebem as questões ambientais, sociais e econômicas que podem ser problematizadas junto aos alunos como conhecimento escolar”, comentou João Augusto Reque, técnico-pedagógico da equipe de educação ambiental da Coordenação de Desafios Educacionais Contemporâneos (CDEC) da Seed, ao lembrar que o trabalho de campo alia a teoria à prática.
Como ponto de partida para a realização da metodologia do estudo do meio, foi elaborado um mapa com a delimitação da microbacia da região em que a escola se encontra. Na segunda-feira (16), foi realizada uma análise prévia de reconhecimento dos locais de estudo. “É necessário fazer um pré-diagnóstico da área para verificar o que é relevante para ser estudado, definir o que é interessante observar ou não”, explicou João Augusto.
A constatação do impacto ambiental que a sociedade tem causado aos rios modifica o comportamento dos participantes. “Nas regiões urbanas as pessoas perderam a noção dos rios que estão próximos as suas residências, confundido-os com valetas ou esgotos, mas é o retrato de como a sociedade está se relacionando com  meio ambiente”, disse.
Ao final do encontro, ficou definido que o município irá realizar a primeira reunião para a constituição do Fórum Permanente de Discussões da Agenda 21 Escolar, com todas as escolas participantes. As escolas terão dois meses para realizar diagnósticos, propondo planos de ações a curto, médio e longo prazo. Como desdobramento os resultados serão problematizados e  sistematizados em eixos temáticos para a definição dos grupos de trabalho.
O diagnóstico deve contemplar análises como a infraestrutura, encontrando maneiras de transformar o espaço escolar num ambiente mais sustentável. É importante conhecer o entorno da escola e manter um diálogo com as pessoas que fazem parte da comunidade em que a escola está inserida. “A escola vai trazer todas estas informações e transformá-las em conhecimento escolar, para trabalhar em sala de aula com os alunos”, destacou o técnico pedagógico. Ele lembrou ainda que a escola tem o compromisso em dar um retorno à comunidade deste trabalho.
A primeira etapa de formação foi realizada em julho deste ano, quando foram discutidas as concepções teóricas que envolvem a implantação da agenda 21 Escolar. Foi feito um encaminhamento teórico e histórico da Agenda 21, suas especificidades e quais os passos de implementação nas escolas.
Para Elizabeth do Rocio Godke, bióloga e educadora ambiental da Secretaria Municipal de Educação, a construção da Agenda 21 Escolar irá promover uma maior interação da comunidade com a escola. “A realização das atividades da Agenda irão trazer a comunidade para dentro dos muros da escola, acompanhando o que acontecendo na escola”, disse.
A educadora lembrou que o município de Almirante Tamandaré possui belezas naturais e recursos hídricos abundantes, mas que estão sendo prejudicados pela poluição e pelo desmatamento. “É preciso passar aos alunos a importância da preservação e os problemas socioambientais que estão relacionados para que ocorram as mudanças de atitude, e isto deve ser feito também pela educação”, comentou.
Desde 2005 a Secretaria Municipal de Educação tem realizado ações para a construção das Agendas 21 Local e Escolar. As suas concretizações não beneficiarão apenas os mais de 9 mil alunos do município. “Os alunos são multiplicadores de informação, quando chegam a suas casas eles cobram dos pais atitudes conscientes sobre o meio ambiente”, afirmou a educadora.
Os eventos foram produtivos porque forneceram subsídios para aplicação dos trabalhos na escola. “Os cursos nos ofereceram condições de trabalhar em sala de aula com as crianças, principalmente na região da nossa escola, a proposta de fazer um trabalho de conscientização junto à comunidade”, disse Caroline Busato, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Professor Eurípedes de Siqueira.