Secretária apresenta política da educação para o enfrentamento da violência 08/10/2008 - 12:11

A Secretária de Estado da Educação Yvelise Arco-Verde proferiu palestra no III Congresso Ibero-Americano sobre Violências nas Escolas, realizado concomitantemente ao VIII Congresso Nacional de Educação (Educere). Ela apresentou as políticas da Secretaria para o enfrentamento à violência escolar para os participantes do evento na noite de terça-feira (07), no auditório Alceu Amoroso Lima da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR).
Segundo Yvelise, a SEED tem como referência fundamental de ação os princípios da política educacional. “A defesa da escola pública de qualidade como direito de todos é o princípio básico a ser seguido, pois a exclusão da escola é uma violência”, disse.
A secretária também fez uma especial referência à valorização do profissional da educação e lembrou que a formação continuada é fundamental para que o professor se sinta mais capaz de enfrentar os problemas do dia-a-dia. “Encontros como este, por exemplo, fomentam a discussão de um tema emergente e necessário para a formação profissional. Temos uma boa participação de nossos professores e, com certeza, cada um saíra deste Educere com novas idéias”, disse.
Ela salientou que a formação clássica do profissional de educação não o capacita para lidar com as novas demandas sociais ligadas à violência. “Poucas pessoas discutem o tema, há uma carência de acúmulo teórico específico na área da violência”, afirmou. Para Yvelise, para entender a violência é necessária uma abordagem crítica, histórica e conjuntural. “Não adianta recorrer à mera pedagogia de projetos. Isso não dá certo”, concluiu.
A secretária falou sobre a necessidade de atendimento à diversidade cultural no âmbito da escola e, ainda, chamou a atenção para o fato das escolas paranaenses serem incentivadas pela SEED a construir uma gestão democrática, participativa e colegiada. “Se a comunidade se sente dona da escola, se entende que a escola é sua, então temos um fator importantíssimo no enfrentamento da violência”, disse.
Yvelise falou dos programas da SEED para esse enfrentamento, entre eles a Ficha de Comunicação de Aluno Ausente (FICA), que envolve o relacionamento da escola com o Conselho Tutelar, com o Ministério Público e com a família do aluno faltoso. Também citou o Programa de Educação nas Unidades de Socioeducação (PROEDUSE), a reinserção de adolescentes no ambiente escolar, o Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar (SAREH) e o Viva a Escola, que manterá o aluno na escola com atividades esportivas, artísticas e culturais.
A Patrulha Escolar Comunitária foi lembrada como uma nova aliada. Ela contou que, quando assumiu a Superintendência da Educação, em 2003, a convite do ex-secretário Mauricio Requião, encontrou 11 escolas, dentre as 2100 do estado, nas quais os professores não queriam ir lecionar por medo. A Patrulha ajudou a inibir o uso de armas por alguns alunos e, acima de tudo, segundo Yvelise, ampliou o debate sobre a violência nas escolas. “O que não pode acontecer, mas acontece muito, é a Patrulha Escolar ser chamada para resolver problemas disciplinares, isso é para ser resolvido pelo educador, que não pode terceirizar esse problema”, alertou.
A secretária deixou claro que entende que não é na escola que se resolve a violência, mas que uma escola de qualidade, democrática e estimulante é um fator preponderante para a melhoria da qualidade de vida e conseqüente redução dos índices de criminalidade e violência. “Não resolveremos o problema na escola, com certeza, mas uma escola de qualidade e inclusiva está ao nosso alcance. E é por isso que estamos trabalhando”, concluiu.