Tradições quilombolas e negras no currículo escolar são tema de encontro 03/12/2010 - 17:32

A Secretaria de Estado da Educação (SEED), por meio do Núcleo de Educação das Relações Étnicorracias e Afrodescendência (NEREA), vinculado ao Departamento da Diversidade (DEDI), realiza no centro de formação continuada de Faxinal do Céu, município de Pinhão, o Encontro de Implementação da Proposta Pedagógica Quilombola do Paraná. O objetivo do evento, que se encerra nesta sábado (04), é incorporar no currículo escolar as tradições locais das comunidades quilombolas e negras. O encontro conta com a presença de 42 participantes, entre pedagogos, professores e diretores.
O chefe do DEDI, Wagner Roberto do Amaral, considera que o evento se constitui em mais um espaço de afirmação do compromisso da SEED com as populações quilombolas no Paraná. “O nosso diálogo com a Federação das Comunidades Quilombolas do Paraná tem sido constante e fundamental para definir as diretrizes curriculares para a oferta da educação escolar. A população quilombola representa a presença viva da diáspora africana em nosso país e no Paraná, demonstrando a resistência política e cultural do povo negro na nossa história e nos territórios por eles ocupados historicamente”, completou o chefe do DEDI.
Para ele é importante destacar que o Paraná é um dos únicos estados do país que já possui uma proposta quilombola específica aprovada pelo Conselho Estadual de Educação. “Nesta semana encaminhamos para o FNDE/MEC o projeto de construção de duas escolas estaduais quilombolas, com perspectiva de construção de mais cinco escolas, estando esse processo em andamento junto à SEED”, informou Amaral.
Já a coordenadora do encontro, a professora Edimara Soares, acredita que reelaborar o currículo escolar não significa desconsiderar os conteúdos que compõem as diretrizes curriculares estaduais da educação básica, mas entrelaçar esses conteúdos com os saberes cotidianos e tradicionais dos alunos oriundos destas comunidades. “As escolas situadas nos territórios quilombolas ou aquelas que atendem esses sujeitos, devem conhecer, reconhecer e valorizar os conhecimentos trazidos por eles frutos de suas experiências e vivências”, disse.
A pedagoga Jurema Alves avaliou os primeiros dias do encontro que começou na segunda-feira (29) de maneira positiva. “Pela primeira vez participo de um curso de formação voltado para a temática quilombola na escola e que trata também das relações étnicorraciais. Considero fundamental ouvir relatos dessas comunidades, isso nos ajuda a ampliar nossa visão de mundo acerca dos sujeitos quilombolas”, comentou Jurema.
“Podemos contar as histórias de como se formou cada uma das nossas comunidades, eu tenho prazer em contar e explicar sobre nossos costumes, sobre quem somos”, ressaltou Maria Arlete, líder da Comunidade Quilombola Maria Adelaide Trindade, ao enaltecer a importância do evento.