Transporte escolar de alunos da Aldeia Kakané Porã começa na segunda-feira 11/03/2009 - 18:24
Os alunos indígenas da aldeia Kakané Porã, localizada no Campo de Santana, na Zona Sul de Curitiba, serão transportados para as escolas nas quais estão matriculados a partir da próxima segunda-feira (16) em ônibus escolar conveniado entre as Secretarias da Educação de Curitiba e do Paraná. “É uma ótima notícia. Assim fica mais fácil ir para a escola, sem precisar andar até lá”, comemora Levir Rodrigues, 15 anos, que está cursando a 7ª série no Colégio Estadual Professora Maria Gai Grendel, que fica a 3,7 quilômetros da aldeia.
A Kakané Porã é a primeira aldeia indígena urbana do Paraná e tem 35 famílias, cerca de 140 pessoas, morando no local das etnias xetá, kaingang e guarani. Ao todo são 25 jovens indígenas em idade escolar que serão beneficiados com o transporte escolar, sendo 17 que estudam entre a 5ª série e as séries do ensino médio, responsabilidade da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Nas outras séries, educação infantil e séries iniciais, a responsabilidade é da Prefeitura de Curitiba. Outros alunos da mesma região também serão beneficiados com o transporte.
O problema da falta de transporte para os alunos da aldeia Kakané Porã só foi comunicado no início desse ano letivo. “Nós recebemos um ofício da ONG Aldeia Brasil, mas a informação oficial deveria ter sido repassada pela Funai (Fundação Nacional do Índio), mas isso não ocorreu”, esclarece a diretora de Administração Escolar da Seed, Ana Lucia Schulhan. “Não tivemos problemas burocráticos entre a secretaria e o município de Curitiba. Resolvemos o problema no tempo hábil que precisávamos”, diz ela.
O cacique da aldeia, Carlos Luis dos Santos, o “Kajer”, conta que desde a mudança da aldeia da Reserva Cambuí, em São José dos Pinhais, para o Campo de Santana, em Curitiba, ele alertou os pais para que se preparassem para o início das aulas. “Na outra aldeia também ocorreram problemas com transporte. Desta vez, procuramos as autoridades e tudo acabou resolvido da melhor maneira”, declara.
Kajer anota todas as informações sobre os jovens indígenas que estão frequentando a escola em um caderno. “Sei a situação de cada um deles. Agora com a garantia de transporte escolar nenhum deles terá a desculpa de não ter como ir para a escola”, avisa o cacique. Segundo ele, toda a aldeia está consciente de que estudar é a melhor forma de melhorar as condições de vida. “Eu mesmo estudei pouco, mas sei da importância e cobro mesmo que todos estudem”, revela.
EXEMPLOS - Levir conta que ele e a irmã Calita Rodrigues têm que acordar cedo para poder chegar a tempo na escola. “Estudar é o que a gente tem que fazer para conseguir melhorar na vida”, comenta. “Agora vamos chegar mais descansados”, comemora Calita, que não esconde o sorriso ao saber que agora poderá acordar um pouco mais tarde para ir à escola pela manhã. “Eu adoro ir para a escola”, conta ela. A mãe, Rosane Rodrigues, diz estar orgulhosa dos filhos. “Eles sabem que estudar é o melhor caminho”.
Anderson Gabriel de Castro, 18 anos, 7ª série, é um dos que não estava indo para a escola por causa da falta de transporte escolar. “Estava difícil ir para a aula. Agora vai ficar mais fácil, ainda mais para aqueles que estudam à noite. Assim, vamos ter mais segurança”, diz. A escola Maria Gai funciona em três turnos e está funcionando provisoriamente em um imóvel alugado pela Secretaria da Educação a 500 metros da nova escola que está sendo construída e deverá ser entregue no mês de maio deste ano.
INVESTIMENTOS – Segundo a legislação, nem o Estado e nem o município têm a obrigação de oferecer transporte escolar em área urbana. No Paraná, o Programa Estadual de Transporte Escolar (Pete) destina R$ 34 milhões para todos os municípios do Paraná e atende 270 mil alunos da rede estadual de ensino. O Programa também licitou a compra de 1,1 mil ônibus escolares no valor de R$ 133,5 milhões. Estão sendo comprados, neste momento, 470 ônibus de 23 lugares e 630 ônibus de 31 lugares. As primeiras unidades já estão sendo entregues pelas montadoras.
BOX
Paraná tem 3 mil alunos indígenas estudando em 35 escolas estaduais
A Secretaria de Estado da Educação desenvolve diversas ações na área da educação escolar indígena. Uma das grandes conquistas foi a estadualização de todas as escolas indígenas do Paraná. Hoje são cerca de 3 mil alunos distribuídos em 35 escolas, em 23 municípios.
Os professores recebem capacitação através dos cursos de formação continuada, com carga horária de 40 horas, visando sempre a melhor qualidade no ensino dos jovens e adultos. Atualmente são 105 professores indígenas estão em processo de formação.
O curso tem a duração de quatro anos e é realizado por meio de uma parceria entre Seed, MEC e FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). As aulas presenciais são realizadas no município de Faxinal do Céu e a Seed disponibiliza toda a infra-estrutura para os alunos e professores.
O objetivo é fortalecer cada dia mais a interculturalidade, fazendo com que os próprios indígenas assumam não só as salas de aulas, mas a área administrativa e demais departamentos das escolas, fortalecendo a identidade do povo.
A Secretaria de Educação também produziu com os professores indígenas diversos materiais didáticos, entre eles um caderno específico da língua kaingang, voltada para a alfabetização. Um caderno temático, que relata as experiências pedagógicas e um livro para a alfabetização na Língua Guarani. Ainda possui outros em fase de finalização.
Em abril deste ano, o Paraná sediará a 1ª Conferência Nacional da Educação Escolar Indígena. O evento contará com mais de 300 convidados, incluindo delegados, indígenas, representantes de universidades e secretarias dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
A Kakané Porã é a primeira aldeia indígena urbana do Paraná e tem 35 famílias, cerca de 140 pessoas, morando no local das etnias xetá, kaingang e guarani. Ao todo são 25 jovens indígenas em idade escolar que serão beneficiados com o transporte escolar, sendo 17 que estudam entre a 5ª série e as séries do ensino médio, responsabilidade da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Nas outras séries, educação infantil e séries iniciais, a responsabilidade é da Prefeitura de Curitiba. Outros alunos da mesma região também serão beneficiados com o transporte.
O problema da falta de transporte para os alunos da aldeia Kakané Porã só foi comunicado no início desse ano letivo. “Nós recebemos um ofício da ONG Aldeia Brasil, mas a informação oficial deveria ter sido repassada pela Funai (Fundação Nacional do Índio), mas isso não ocorreu”, esclarece a diretora de Administração Escolar da Seed, Ana Lucia Schulhan. “Não tivemos problemas burocráticos entre a secretaria e o município de Curitiba. Resolvemos o problema no tempo hábil que precisávamos”, diz ela.
O cacique da aldeia, Carlos Luis dos Santos, o “Kajer”, conta que desde a mudança da aldeia da Reserva Cambuí, em São José dos Pinhais, para o Campo de Santana, em Curitiba, ele alertou os pais para que se preparassem para o início das aulas. “Na outra aldeia também ocorreram problemas com transporte. Desta vez, procuramos as autoridades e tudo acabou resolvido da melhor maneira”, declara.
Kajer anota todas as informações sobre os jovens indígenas que estão frequentando a escola em um caderno. “Sei a situação de cada um deles. Agora com a garantia de transporte escolar nenhum deles terá a desculpa de não ter como ir para a escola”, avisa o cacique. Segundo ele, toda a aldeia está consciente de que estudar é a melhor forma de melhorar as condições de vida. “Eu mesmo estudei pouco, mas sei da importância e cobro mesmo que todos estudem”, revela.
EXEMPLOS - Levir conta que ele e a irmã Calita Rodrigues têm que acordar cedo para poder chegar a tempo na escola. “Estudar é o que a gente tem que fazer para conseguir melhorar na vida”, comenta. “Agora vamos chegar mais descansados”, comemora Calita, que não esconde o sorriso ao saber que agora poderá acordar um pouco mais tarde para ir à escola pela manhã. “Eu adoro ir para a escola”, conta ela. A mãe, Rosane Rodrigues, diz estar orgulhosa dos filhos. “Eles sabem que estudar é o melhor caminho”.
Anderson Gabriel de Castro, 18 anos, 7ª série, é um dos que não estava indo para a escola por causa da falta de transporte escolar. “Estava difícil ir para a aula. Agora vai ficar mais fácil, ainda mais para aqueles que estudam à noite. Assim, vamos ter mais segurança”, diz. A escola Maria Gai funciona em três turnos e está funcionando provisoriamente em um imóvel alugado pela Secretaria da Educação a 500 metros da nova escola que está sendo construída e deverá ser entregue no mês de maio deste ano.
INVESTIMENTOS – Segundo a legislação, nem o Estado e nem o município têm a obrigação de oferecer transporte escolar em área urbana. No Paraná, o Programa Estadual de Transporte Escolar (Pete) destina R$ 34 milhões para todos os municípios do Paraná e atende 270 mil alunos da rede estadual de ensino. O Programa também licitou a compra de 1,1 mil ônibus escolares no valor de R$ 133,5 milhões. Estão sendo comprados, neste momento, 470 ônibus de 23 lugares e 630 ônibus de 31 lugares. As primeiras unidades já estão sendo entregues pelas montadoras.
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Paraná tem 3 mil alunos indígenas estudando em 35 escolas estaduais
A Secretaria de Estado da Educação desenvolve diversas ações na área da educação escolar indígena. Uma das grandes conquistas foi a estadualização de todas as escolas indígenas do Paraná. Hoje são cerca de 3 mil alunos distribuídos em 35 escolas, em 23 municípios.
Os professores recebem capacitação através dos cursos de formação continuada, com carga horária de 40 horas, visando sempre a melhor qualidade no ensino dos jovens e adultos. Atualmente são 105 professores indígenas estão em processo de formação.
O curso tem a duração de quatro anos e é realizado por meio de uma parceria entre Seed, MEC e FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). As aulas presenciais são realizadas no município de Faxinal do Céu e a Seed disponibiliza toda a infra-estrutura para os alunos e professores.
O objetivo é fortalecer cada dia mais a interculturalidade, fazendo com que os próprios indígenas assumam não só as salas de aulas, mas a área administrativa e demais departamentos das escolas, fortalecendo a identidade do povo.
A Secretaria de Educação também produziu com os professores indígenas diversos materiais didáticos, entre eles um caderno específico da língua kaingang, voltada para a alfabetização. Um caderno temático, que relata as experiências pedagógicas e um livro para a alfabetização na Língua Guarani. Ainda possui outros em fase de finalização.
Em abril deste ano, o Paraná sediará a 1ª Conferência Nacional da Educação Escolar Indígena. O evento contará com mais de 300 convidados, incluindo delegados, indígenas, representantes de universidades e secretarias dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.


