Indígenas concluem curso de formação de professores 03/10/2012 - 16:00
Indígenas de 16 aldeias do Paraná concluem nos próximos meses o curso de formação de docentes no Centro Estadual de Educação Profissional Newton Freire Maia, em Pinhais. Esta é a quarta turma a obter a certificação para exercer o magistério, atendendo à diversidade cultural e linguística das comunidades indígenas.
A Formação de Docentes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais, na modalidade normal Kaingang e Guarani bilíngue, ofertada pela Secretaria de Estado da Educação, termina em dezembro. “Esta formação é uma conquista. Esta gestão tem procurado manter um diálogo constante com as lideranças das terras indígenas, com o intuito de saber as necessidades e demandas dos estudantes dessas aldeias”, destacou a diretora do Departamento de Educação e Trabalho da Secretaria, Marilda Diorio Menegazzo.
O curso teve 13 etapas com duração de cinco anos, com aulas em Pinhão e finalização em Pinhais. O aluno Kaingang Gabriel Kaji da Silva, da reserva Apucaraninha, em Londrina, contou que o curso incentiva todos que desejam melhorias em suas aldeias. “Mesmo longe da família em algumas etapas, encaramos o desafio. Os professores ajudaram todos a continuar a caminhada pensando sempre em melhorar a nossa realidade”.
Alcides Rodrigues da Silva, da Terra Indígena de Mangueirinha, destacou que foi valioso o tempo de formação. “Já tínhamos a vivência como professores, mas com o conhecimento adquirido fomos além e isso vai auxiliar ainda mais nossas crianças”.
IDIOMAS – A diferença desta formação é o conteúdo voltado à cultura indígena com aulas também nos idiomas Guarani e Kaingang e currículo elaborado em conjunto com essas comunidades. “Incentivamos nossos alunos e contamos nossas experiências como forma de mostrar que com determinação alcançamos nossos objetivos”, disse a aluna Guarani Irismar dos Santos, da Terra Indígena de São Jerônimo da Serra.
Outro aluno Guarani Jucelio da Silva, da aldeia Laranjinha, de Santa Amélia, explicou que o Governo do Estado deu oportunidade de formação compatível com a realidade das comunidades. “Vemos o progresso das nossas crianças e sem o preconceito que algumas vezes ocorria em outras escolas fora da aldeia”, completou o estudante Guarani Edgar Martins, de São Miguel do Iguaçu.
A formação fortalece a cultura indígena e valoriza o profissional que já atuava nas aldeias. “Além de professores, somos representantes de nosso povo e queremos sempre o diálogo com o governo para a continuidade de cursos que possibilitem avanços para todos nós”, disse Justino Karai de Souza, da aldeia Guarani de Palmeirinha, em Chopinzinho.


