No Paraná, indígenas têm educação intercultural, bilíngue e de qualidade 19/04/2010 - 18:40

Com a preocupação de garantir o direito à escolarização aos povos indígenas, a Secretaria da Educação desenvolve ações que ampliam e aprimoram a Educação Escolar Indígena, tornando o Paraná um dos Estados referencia nesta modalidade e que oferece atendimento escolar da educação infantil até o Ensino Médio nas escolas indígenas.
A Seed oferece aos mais de três mil alunos indígenas matriculados nas 33 escolas indígenas, uma educação intercultural, bilíngue e diferenciada. Além disto, todos os demais alunos da rede estadual devem ter acesso ao ensino da história e da cultura indígena nas escolas – de acordo com o estabelecido pela Lei Federal 11.645/2008 que determina a obrigatoriedade no currículo escolar.
Além da organização pedagógica, a estrutura física das escolas também está recebendo atenção especial do Governo do Paraná. Nos últimos anos, houve uma grande ampliação da infraestrutura das escolas indígenas. Foram mais de 40 intervenções, entre reformas, unidades novas e melhorias do espaço escolar. Atualmente, está em fase de licitação o processo para a construção de mais 13 novas escolas nas terras indígenas.
“As políticas públicas de inclusão permitem não somente o respeito à diversidade, mas também a afirmação da cultura do povo indígena, garantindo as especificidades socioculturais e lingüísticas de cada grupo étnico”, afirma o chefe do Departamento da Diversidade (Dedi) da Seed, Wagner Roberto do Amaral.
De acordo com ele, os saberes tradicionais e culturais têm que estar em permanente diálogo com os saberes científicos e escolares.
“No cotidiano da cultura escolar no Paraná, os povos indígenas têm seus saberes reconhecidos e suas especificidades respeitadas” ressalta Wagner do Amaral.
Ele explica que a estadualização das escolas indígenas em 2008, com a oferta de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio e EJA, possibilitou
a organização diferenciada do calendário, dos espaços e do currículo no atendimento à realidade destes povos, de forma a qualificar o trabalho pedagógico e intercultural.
“A ideia é expandir a reflexão acerca da presença destes povos em nossa sociedade, sua resistência, suas identidades e principalmente, a contribuição cultural e histórica construída por eles”, explica Cristina Cremoneze, coordenadora de Educação Escolar Indígena.
Outra ação que merece destaque é ampliação do quadro de funcionários indígenas; professores, pedagogos e auxiliares de serviços gerais.
Wagner do Amaral ressalta a importância de garantir as condições de trabalho dos professores indígenas com a possibilidade de inseri-los na carreira.
“A formação de professores indígenas para as escolas indígenas e elaboração de currículos e materiais didáticos que afirmem a cultura das diversas etnias fazem parte da política da Seed”.
Novidade-  Além dos cursos de formação de docentes para Guarani e Kaingang, técnico em agropecuária integrado ao ensino médio e da contratação de professores por PSS, a Seed ofertará o curso de licenciatura intercultural. A formação continuada acontece a partir de agosto em regime de alternância – no Centro de Formação Continuada de Faxinal do Céu e nas regiões onde habitam - em parceria com a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Segundo Wagner do Amaral, este curso vai suprir a necessidade de professor habilitado no Ensino Fundamental e Médio. “Nossa intenção é formar aproximadamente 80 professores, garantindo a expansão do ensino médio bilíngüe nas terras indígenas”.
Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena - Na I Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (CNEEI) em setembro do ano passado em Brasilia, os participantes discutiram a afirmação cultural, a autonomia dos povos indígenas, praticas pedagógicas, políticas, gestão e financiamento da educação; participação e controle social; além de diretrizes para a educação escolar indígena. As deliberações da CNEEI foram apresentadas na Conferencia Nacional de Educação (CONAE) neste ano em Brasília.
Realidade – O Brasil possui 210 povos falantes de mais de 180 línguas diferentes. O Paraná tem uma população indígena estimada em 13 mil pessoas, entre elas estão dois dos maiores povos indígenas do Brasil; Kaingang e Guarani. O Estado é pioneiro na oferta de vagas suplementares nas Universidades Publicas. Cada Universidade Estadual disponibiliza seis vagas e a Universidade Federal (UFPR), dez. No início do ano passado, totalizaram 76 alunos indígenas nas universidades paranaenses e 15 formados.