Núcleos criam atrações diferenciadas no Fera Com Ciência 06/11/2009 - 10:09

Além das exposições, apresentações artísticas e oficinas, os Núcleos Regionais de Educação (NRE) estão criando outras atrações para movimentar alunos e professores participantes do Fera Com Ciência. Nessa semana, o NRE de Londrina inovou, com uma sala de cinema montada junto às exposições e um passeio ecológico na fazenda Bimini. Em Arapoti, destaque para as exposições que renovam a tecnologia para proteger o meio ambiente.
LONDRINA – No Fera Com Ciência do NRE de Londrina uma tenda negra, montada dentro do centro de exposições, abriga o Cine Fera. “A idéia surgiu porque nossa exposição conta com vários trabalhos de cinema e vídeo”, disse Sandra Mara Andrade, técnica disciplinar do núcleo. São exibidos também vídeos da TV Paulo Freire, sobre saúde, mudanças climáticas, efeito estufa e consumo sustentável. As exibições ocorrem sempre no período da tarde e são abertas a todos os alunos para apresentação.
Dois trabalhos apresentaram vídeos criados com a técnica do stopmotion, que consiste em tirar fotos para compor uma sequência que resulte na idéia de movimento.
Um deles, do Colégio Estadual Hugo Simas, está inscrito no programa Viva a Escola. A professora de artes, Priscila da Silva Azevedo, trabalhou a história do cinema e a estrutura de produção, além de conceitos de significado da construção de imagens. “O projeto serve, sobretudo, para que aprendam a como se comportar perante a mídia. Assim, o objetivo principal do projeto é criar expectadores críticos”, afirmou Priscila.
“Aprendemos como um filme é feito. Eu acho que foi uma ótima maneira de fugir da rotina, pois não é uma simples aula onde a gente apenas escreve e não discute o que a gente aprendeu”, contou Amanda Claudino Feltrin, 11 anos. Juliana de Moraes Rocha, 12 anos contou que a atividade tornou sua vida diferente. “Está me ajudando nas notas e também senti uma melhora na forma de me expressar”.
O outro trabalho que utilizou a mesma técnica, do Colégio Estadual Professora Roseli Piotto Roehrig, vem sendo desenvolvido há quatro anos. “Os alunos aprenderam desde o processo mecânico de animação, passando por conceitos de fotografia e depois de imagem em movimento”, explicou o professor de artes André Camargo Lopes. Os 24 alunos envolvidos usaram personagens moldados em ‘massinha’ para compor os pequenos curtas.
“É trabalhoso, mas depois que você vê o vídeo, fica animado. Quanto mais você faz, mais você quer fazer”, afirmou a aluna Cintia Santos de Souza, 16 anos. Segundo ela, esse trabalho estimula a pesquisa porque o resultado é muito interessante.
Outra novidade foi o passeio ecológico à fazenda Bimini, em Rolândia. A fazenda é reconhecida mundialmente como uma iniciativa de educação ambiental, tendo recebido o Premio Von Martius de Sustentabilidade, concedido pela Câmera de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha.
A visita começa com um teatro de bonecos ao ar livre, logo ao lado do pátio que no passado foi usado para a secagem do café. Os bonecos são feitos com cabaça, uma fruta que quando seca pode ser utilizada de várias maneiras. A mais comum é a confecção de cuias para tomar chimarrão.
Daniel Staidle, o proprietário da fazenda, empunha um guarda-chuva remendado contra o sol, chamando atenção para necessidade de reutilizar até objetos baratos, a fim de evitar o consumo desnecessário, incentivado pela estrutura social em que vivemos. Depois os alunos descobrem um galpão, onde coisas antigas foram preservadas. “Os objetos são descartados com uma rapidez assustadora e aqui chamamos atenção dos visitantes para o consumo consciente”, explicou Staidle.
A visita conta ainda com espaços de resgate da memória local e pessoal que incentivam a arte, a conversa e a interação entre os visitantes. O trajeto termina num momento de reflexão onde as atitudes de cada um são colocadas em xeque. Assim, surge a discussão do que cada um pode fazer, sozinho ou em conjunto para criar um mundo melhor.
 “Percebi que sozinhos não podemos muita coisa, mas se nos unirmos e tivermos bom senso podemos mudar o mundo”, disse Lucas Gonçalves do Colégio Estadual Adélia Dionísia Barbosa, em Londrina. Já para Barbara de São Miguel, do mesmo colégio, a visita foi uma oportunidade para entrar em contato com um sonho. “Eu quero ser bióloga e aqui estou aprendendo muito do que vou usar no futuro”, disse.
ARAPOTI – No Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, no município de Sengés, foi criado um cortador de vidro cilíndrico. A iniciativa é do professor Vinício Ferreira e possibilita a reciclagem do vidro, criando outros objetos. “Apenas 13% de todo o vidro produzido é reciclado. O que me surpreendeu nesse projeto é que a comunidade se envolveu, separando o vidro para que pudesse ser reciclado”, contou Ferreira.
O aparelho é composto por um resistor em molde de madeira e de piso para dissipar o calor. Quando o resistor é aquecido, o vidro é cortado. Foi desenvolvida ainda uma espécie de lixa, para remover as imperfeições do corte. “Nós estamos diminuindo o lixo e assim o impacto na natureza e ainda criando objetos úteis com o vidro”, falou o aluno Maicou Ricardo Miranda, 15 anos.
Outra exposição que chamou a atenção foi a maquete de uma usina de energia eólica, do Colégio Estadual Rodrigues Alves, em Jaguariaiva. A maquete simula uma corrente de ar, que faz a hélice entrar em movimento, ativando um motor. Segundo a professora Florinda Sabião, “o estudo partiu da carência do uso de energias alternativas no Brasil, pela abundância de recursos hídricos”.
Para o aluno Elton Mayer, 15 anos, “o estudo me fez perceber a falta de incentivo aos recursos que produzem energia limpa, não só como a eólica, mas também a solar e, no caso dos carros, a elétrica”.