Parceria vai destinar R$ 9 milhões para construir 13 escolas indígenas 03/06/2008 - 15:42

O Departamento de Diversidade da Secretaria da Educação apresentou nesta terça-feira (3), durante a reunião semanal da Escola de Governo, um balanço das ações educacionais desenvolvidas para melhorar a qualidade de ensino dos indígenas, acampados do MST e assentados da reforma agrária, por meio das escolas itinerantes. Foi anunciada parceria com o Governo Federal que vai destinar R$ 9,1 milhões para a construção de 13 escolas indígenas no Paraná. Outro convênio anunciado foi o programa Saberes do Campo, que começa com 1.600 vagas para jovens agricultores dos 19 aos 29 anos.
Conforme Yvelise Arco-Verde, superintendente da Secretaria de Estado da Educação, o Paraná assumiu e reafirma o compromisso da “Opção Preferencial pelos Pobres”, de acordo com a Carta de Puebla, que resume os compromissos assumidos durante a Conferência dos Bispos da Igreja Católica da América Latina, ocorrida na cidade mexicana de Puebla em 1979. “Traduzimos essa preferência com o desenvolvimento e prática de políticas públicas voltadas ao atendimento de comunidades com histórico de desfavorecimento social. Essas comunidades requerem medidas políticas específicas e emergenciais”, afirmou Yvelise.
Conforme a chefe do Departamento de Diversidade da Secretaria, professora Fátima Yokohama, a população indígena do Paraná é estimada em mais de 11 mil pessoas das etnias kaingang e guarani. Atualmente, são 3.685 alunos indígenas atendidos pela Secretaria nas 33 escolas estaduais construídas em áreas indígenas. Nelas trabalham 221 funcionários, entre professores, assistentes administrativos, zeladores e merendeiros. Desses funcionários, 200 são das próprias comunidades kaingang e guarani.
Fátima Yokohama e o secretário Maurício Requião entregaram ao governador um kit com cinco volumes de materiais utilizados por professores e alunos das escolas itinerantes e indígenas. Ela explicou que o material, produzido pela Secretaria em parceria com as coordenações educacionais de cada grupo, contribui para o entendimento da condição social de cada grupo, visando a um melhor aproveitamento dos saberes por eles já aprendidos.
“Até o início desta gestão as poucas escolas indígenas que existiam contavam apenas com o professor. Demos estrutura e condições de ensino a essas comunidades, inclusive pedagógica, pois os professores têm formação continuada, permitindo que apliquem as metodologias de ensino, preservando sempre a língua e os costumes dessas populações”, disse Fátima.
Para ampliar a educação indígena e possibilitar maior qualidade de ensino, o Departamento de Diversidade da Secretaria da Educação, em conjunto com o Departamento de Educação e Trabalho, realiza a formação de professores de magistério kaingang e guarani, que ocorre em sistema de alternância, no Centro de Formação de Professores, em Faxinal do Céu.

ESCOLAS ITINERANTES - O setor de Educação no Campo, que faz parte do Departamento de Diversidade da Secretaria, concentra esforços na melhoria das escolas itinerantes que atendem aos filhos de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), enquanto aguardam a desapropriação de terras para que sejam assentados.
Segundo Maria Isabel Grein, coordenadora de Educação do MST, a iniciativa de implementar as escolas itinerantes surgiu em 2004, quando o governador Roberto Requião recebeu o setor de educação do MST e assumiu o compromisso de que as primeiras escolas seriam criadas. “As escolas itinerantes resgatam a dignidade e dão sentido à vida de pessoas que enfrentam situações muito delicadas”, disse Maria Isabel.
O Paraná tem 11 escolas itinerantes, localizadas nos acampamentos do MST em dez municípios – Matelândia, Céu Azul, Santa Tereza do Oeste, Cascavel, Paula Freitas, Planaltina do Paraná, Amaporã, Guairaçá, Ortigueira e Rio Branco do Ivaí. Nessas localidades Cerca de 1.500 alunos são atendidos, garantindo o direito à educação de crianças, jovens e adultos.
Para viabilizar a parceria do Estado com o MST, em 2004, a Secretaria da Educação assinou um convênio com a Associação de Cooperação Agrícola da Reforma Agrária do Paraná (Acap). Através desse termo, repassa recursos para a contratação de coordenadores, educadores, auxiliares de secretarias e bibliotecas escolares.
Fátima Yokohama adiantou algumas informações sobre um programa do Governo Federal, voltado também para a educação no campo, especificamente para a melhoria da formação de jovens agricultores, na faixa etária entre 19 a 29 anos. Segundo ela, eles poderão ingressar em cursos do Programa Saberes da Terra, dos Ministérios da Educação e da Agricultura, que vai começar pelo Paraná. O programa vai disponibilizar, inicialmente, 1.600 vagas.