Secretária participa do encerramento do 6º Simpósio da Educação do Campo 16/04/2010 - 17:18

A secretária da Educação, Yvelise Arco-Verde participou do encerramento do 6º Simpósio Estadual da Educação do Campo, nesta quinta-feira (15) no Centro de Formação Continuada de Faxinal do Céu, no município de Pinhão. O objetivo do evento foi fortalecer uma rede de ações e relações político-pedagógicas entre as escolas do campo, instituições de ensino superior e movimentos sociais.
“Este evento trouxe sentimentos de nostalgia e ao mesmo tempo de alegria, porque, algumas vezes, não nos damos conta dos avanços significativas que tivemos na educação do campo, durante a trajetória da nossa gestão”, declarou a secretária.
“Um dos princípios do governo Requião e mantido pelo governador Pessuti é de que a Educação é papel do estado, e isto faz diferença na gestão da educação porque nos possibilitou uma mudança muito grande no Paraná”, ressaltou Yvelise Arco-Verde ao destacar o orçamento de 30% destinado à Educação paranaense, o plano de carreira dos profissionais da área, o investimento em infraestrutura e as práticas pedagógicas.
O simpósio reuniu mais de 500 educadores e representantes de 31 Núcleos Regionais de Educação que possuem escolas do campo, além de participantes dos movimentos sociais e pesquisadores de universidades públicas. Após quatro dias de discussões, eles produziram o Manifesto da Educação do Campo do Estado do Paraná entregue à secretária. Nele constam os princípios, conquistas e perspectivas desta modalidade de ensino.
As ações para garantir uma identidade cultural à educação do campo nos últimos anos feitas pela Secretaria da Educação (Seed) foram lembradas pela superintendente da Educação, Alayde Digiovanni “Quando configuramos uma identidade para as escolas do campo, consideramos suas realidades e passamos a discutir questões sociais; e temos realizado estes enfrentamentos todos esses anos”, ressaltou.
Entre as ações realizadas pela Seed estão a formação continuada de professores que atuam nas escolas do campo, a elaboração das diretrizes curriculares da educação do campo e a produção coletiva de material de apoio pedagógico e didático. Houve também a criação e autorização para funcionamento das escolas das ilhas, escolas quilombolas, escolas indígenas e escolas itinerantes.
A educação do campo atende não somente os alunos da zona rural, mas também os ribeirinhos, ilhéus, indígenas, atingidos por barragens, remanescentes de quilombos, assentados, acampados, faxinalenses e pequenos agricultores. No Paraná são 423 escolas e aproximadamente 50 mil alunos são beneficiados pelas políticas de diversidade da Seed.
“Precisamos reconhecer o campo como lugar de vida e não apenas como espaço onde só se vê soja, trigo ou cana de açúcar, e sim se vê gente. Por isso que continuamos debatendo e refletindo os desafios sobre as questões pedagógicas, curriculares e de ação docente nas escolas do campo do Estado do Paraná”, disse o chefe do Departamento da Diversidade (Dedi), Wagner Roberto do Amaral.
Para Amilton José da Silva, coordenador executivo da Rede Puxirão de Povos e Comunidades Tradicionais a atual gestão de governo abriu canais de diálogo para as pessoas do campo. “Está abertura permitiu a construção de um projeto de educação que favorece a cidadania às comunidades do campo”. Para ele, as políticas da Seed respeitam diversidade sócio-cultural que não era visível à sociedade paranaense. “As políticas educacionais são diferenciadas para que possamos permanecer nas nossas comunidades”, argumentou.
Exemplo – O Colégio Estadual de Mandiocaba, no distrito de Mandiocaba, em Paranavaí atende cerca de 130 alunos, oferecendo ensino fundamental. Os conteúdos das aulas são desenvolvidos considerando a realidade rural da região. “O projeto político pedagógico da escola foi construído de acordo com a realidade do aluno, e com a participação das famílias da comunidade”, explica a pedagoga Sônia Maria Barisão Leite.
Uma das dificuldades é em relação à continuidade os estudos para os alunos que terminam a 8ª série. Eles precisam se deslocar até a cidade para completar o ensino médio. “Os alunos não estão habituados com a realidade diferente da cidade e acabam perdendo muito da cultura da sua comunidade, podendo se envolver com a violência”,exemplificou a pedagoga.
A Seed já encaminhou para o Conselho Estadual da Educação (CEE) uma deliberação que busca definir algumas diretrizes curriculares para a educação do campo, entre elas está uma política de expansão do ensino médio a estas escolas.
Condições de deslocamentos para professores e critérios de abertura, permanência e cessação das escolas do campo não obedecendo ao já existentes para escolas urbanas também estão no documento entregue.