Seed reúne Xetá para Oficina de Produção de Material Pedagógico 16/04/2010 - 16:20

O Departamento da Diversidade, por meio da Coordenação da Educação Escolar Indígena, realizou entre os dias 14 e 16 de abril a primeira etapa da Oficina de Produção de Material Xetá. O evento aconteceu em São Jerônimo da Serra e reuniu representantes Xetá da região e de Curitiba.
Durante dois dias, líderes do Povo Xetá, membros da Seed/DEDI, do Núcleo Regional de Educação de Cornélio Procópio, do Museu Paranaense, Universidade Estadual de Maringá, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e docentes da Universidade de Brasília, reuniram-se com o objetivo de elaborar a produção de material na língua Xetá, propiciando e elaborando estratégias de revitalização da língua, resgatando a cultura e o universo cosmológico Xetá.
“Muitos deles foram massacrados por colonizadores, alguns destes, vivos ainda hoje, são fazendeiros na região. Sabe-se que eram entregues aos indígenas produtos locais com roupas contagiadas com varíola e outras doenças para que fossem exterminados e assim ocupar a terra deles”, contou a coordenadora da Educação Escolar Indígena do Paraná, Cristina Cremoneze.
No Paraná, os descendentes dos Xetás vivem nas comunidades indígenas Guarani e Kaingang de Cambuí, São Jerônimo da Serra, Palmital do Meio, Marrecas e Chopinzinho. O maior desafio dos Xetás é recuperar a língua, já que segundo relatos há apenas dois falantes Xetás vivos, uma mulher e um homem, sendo que a mulher não ouve muito bem e o homem tem dificuldades de fala.
Cristina informou que o objetivo do encontro foi reunir o povo Xetá para que eles expusessem suas semelhanças, traços culturais e históricos e sociolingüísticos. Ela esclarece que embora haja somente seis pessoas vivas que são filhos de pai e mãe Xetás, a Secretaria tem recebido e ouvido seus descendentes uma vez que trabalha além do caráter biológico, com traços culturais e históricos, já que é a própria comunidade que identifica quem é Xetá.
São Jerônimo da Serra é a aldeia com maior número de famílias Xetá no Brasil. No Paraná, além de São Jerônimo da Serra e Curitiba, há Xetá em Guarapuava e Umuarama. Os estados de Santa Catarina e São Paulo também possuem famílias Xetá. Atualmente, os Xetá somam aproximadamente 300 pessoas.
“O reencontro da sociedade paranaense e, fundamentalmente, do Governo do Paraná com os descendentes Xetá, representa o reconhecimento de uma dívida histórica com esse povo. Queremos produzir materiais pedagógicos para que todas as nossas escolas públicas conheçam essa história, a partir das vozes deste povo”, disse o chefe do Departamento da Diversidade, Wagner Roberto do Amaral.
Histórico – Os Xetá pertencem ao tronco lingüístico Tupi-Guarani. Habitavam tradicionalmente o noroeste paranaense, às margens do rio Ivaí, região conhecida como Serra de Dourados. Notícias da existência de grupos indígenas sem contato na região da Serra de Dourados, entre o final dos anos de 1940 e no início de 1950, o que levou a uma série de investigações para manter contatos com os grupos que habitavam a região.
Nessas investidas, foram encontrados vestígios materiais que confirmavam a presença indígena e, em 1952, foi capturado um menino indígena. Em 1956, a Universidade do Paraná, hoje UFPR, formou uma equipe de pesquisa etnográfica. O reconhecimento da presença Xetá não impediu que o governo do estado desenvolvesse sua política de colonização, atingindo diretamente o território e a população Xetá.
A história do grupo foi, então, marcada por doenças, chacinas, envenenamentos, roubos de crianças, estupros, fugas, desocupação e desmatamento de seus territórios.  Os Xetá que sobreviveram foram transferidos e vivem até o momento como inquilinos em áreas Kaingang e Guarani nos estados do Paraná, Santa Catarina e São Paulo.
Para este ano estão previstas mais três etapas dessa Oficina de Produção de materiais de apoio pedagógicos, que serão realizadas nos meses de maio, junho e julho.